quarta-feira, 31 de agosto de 2016
terça-feira, 21 de outubro de 2014
DESEJO DAS ELEIÇÕES
Não converso sobre politica, até agora não escrevi nada, observo muito.Tenho amigos(as) nas duas opções de voto e respeito a escolha de todos ainda que não esteja de acordo, pois acredito que isso seja democracia. O que venho aqui deixar registrado talvez não interesse a ninguém, são as simples memórias de uma cidadã simples. Conversando com uma tia sobre o voto (dela e meu) ela me lembrou: Tudo que está acontecendo se deve ao passado, toda mudança boa ou má ocorre por consequências do passado. E eu me pus a lembrar, lembrar que quando era criança as pessoas tinham medo e fala velada, as situações eram camufladas. Lembrei que na minha casa não tinha carro, tv colorida, nem telefone e meus pais lutavam muito pra não faltar o básico. Na minha adolescência teve uma mudança grande e as pessoas começaram a gritar a todos pulmões que tinham direitos, que tinham escolhas e as mudanças foram abraçadas, um mártir se foi, foi estranho, a forma foi estranha. Entrou o presidente bigodudo e mudou a moeda Corríamos aos mercados tentar comprar comida e era difícil, até feijão, leite só podíamos comprar um quilo, um pacote. Fazíamos planos mirabolantes pra conseguir comprar comida. Meu pai trabalhava muito, ganhava muito e gastava muito, tudo com a comida rara e cara. Tínhamos que ser mais rápidos, mais que a arma que dia e noite aumentava os preços, muitas vezes trocados varias vezes ao dia. Hospital nem pensar só íamos quando não havia mais escolhas.Estudo? No máximo segundo grau, pobre que entrava na universidade era um acontecimento.
Momentos incríveis era quando o pai ou mãe de algum coleguinha ia buscar o filho de carro, todo mundo saia pra ver era uma coisa de outro mundo. O tempo passou e ainda sinto cheiro da carne fétida que vendia nos açougues em 1986. Depois teve o presidente gato (pessoas declaravam que votou nele porque ele era bonito) que ganhou do trabalhador , lider que nem sabia falar direito. O que era gato e burro pois se deixou pegar, não acredito que fosse mais corrupto que os anteriores, eu acredito em conspirações e acho que ele deve ter aprontado alguma com a rede de tv poderosa pois até série de tv pra animar o povo a pintar a cara teve na época ( Anos Rebeldes). E saiu o povo tirou, hummm, o povo tirou mesmo? Aí botaram o velhinho simpático, que viveu e lutou na ditadura, preparado mas...foi mudando algumas coisas e depois um outro velhinho simpático que mudou a moeda mais uma vez, Privatizou... diminuiu a inflação mas pagamos com várias situações mal resolvidas até hj, tantas coisa que o post grande ficaria ainda maior. Depois veio O trabalhador que o povo queria, ganhou e ficou dois mandatos teve festa como não se via desde o tempo que o povo gritou que que queria votar, prometeu mundo e fundos, dizem que cumpriu algumas coisas, dizem que fez besteiras, dizem que roubou.Na verdade vi muita coisa. Saiu e entrou a presidenta, não simpatizo com ela. Ok a coisa é mais profunda. Sou simples, e o que digo é o que observo. Existem as consequências, contudo existe a sabedoria da continuidade das coisas positivas de cada político que passou independente de partido Pobre estuda e se forma, abre empresa registrada com direito a benefícios O povo tem carro. Eu quero que o transporte publico melhore e assim não se precise tanto de carros. Eu hoje como maçã, uva, morango, iogurte e carne, meus vizinhos também. Existe vários problemas no país, mas eu que sou filha de pais com pouca escolaridade sou formada na universidade Federal, tenho irmãos formados e dois filhos na universidade federal também. Existem cotas, bolsas de assistência, pobre comprando casa. Desonestos que se aproveitam? Tem também, infelizmente terá sempre. Meu marido e minha sogra recebem remédios gratuitos assim como tantos outros que precisam de remédios de uso continuo, pois é direito pagamos impostos, bem são tantas coisas que até cansei, sinto mais benefícios no agora do que motivos para queixa, ajustes sim, precisa melhorar sim mas digo DILMA SIM, Será o meu voto. Aécio? Acho que o avó dele não está feliz...E quanto a nós eleitores desejo paz e que ganhe o que for melhor pra todos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
FOME DE VAMPIRA
Então como deveria ser a vida de uma vampira?
Te digo que apesar de estar no topo da cadeia alimentar, nada muda. Alegrias momentâneas, insatisfações, interrogações.Passo a claridade do dia esperando a escuridão da noite, já que nem tudo pode ser explicado, nem resolvido e a inconstância me faz parte, incômodos, rotina, sim rotina. Hoje me deparei com alguns textos e me fiz perguntas sobre o que eu como. Sim gosto de sangue, já passei para um estágio decadente que além do sangue quero a carne, suas fibras, texturas, cores e odores. Mato rápido e deixo a demora para cada bocado que degusto num prazer recordado durante todos os momentos da existência nos quais não estou nesse ato e ainda assim sou melhor que você, Sim. Não torturo, não quero o sofrimento pois isso tiraria o sabor e envenenaria a iguaria, tenho cuidados, não desperdiço e busco só o meu consumo. Vejo vocês que viram a cara para os leões, abutres e serpentes, que só matam depois de terem digerido tudo por muito tempo. Gado confinado e que só bebem soro de leite, pra dar carne macia e branca, porcas que passam a vida deitadas parindo e amamentando, gansos e patos que são obrigados a comer até a morte, para iguaria do fígado manteiga, frangos com hormônios abatidos antes dos três meses. Pode-se criar animais e abate-los , sem tortura-los , com uma morte rápida depois de uma vida tranquila. Espera passou algo aqui na minha cabeça: o que um golfinho é melhor que uma galinha? E o cachorro melhor que o porco, Então? Em que vocês são melhores? Porque rezam? Ah entendo rezam e julgam, rezam e matam com o olhar, a maledicência furtiva. Porque amam? Mas quando alguém precisa fogem. São melhores porque sabem colocar filhos no mundo que não irão amar?
O meu grande problema é que posso me apaixonar pelo meu almoço, no entanto me salvo rápido e então mais importante será o próximo deleite, o próximo banquete.
Ok, deixe-me na minha solidão, sou um monstro com o cinismo que quase flerta com a felicidade.
terça-feira, 22 de abril de 2014
DEPOIS DA FESTA

Ontem, foi demais, bebi,
dancei e mandei o sinal verde para aquele fofo que eu já estava de olho e rolou.
Nos enroscamos à noite inteirinha. Mas agora estou com medo, bêbada acho que não
tomei os devidos cuidados, estou me sentindo estranho e ela será que esta como
eu? Estou com medo, será que estou grávida? E se ele também está? Ando meio chateado, estava me anulando, me escondendo
da vida. As águas por aqui estão bem ácidas... Por isso ontem radicalizei. Outro
dia aprontaram uma pista com raias de sal e que alternativas tivemos? A não ser correr tentando
salvar a pele. Gritavam:
_Andem seus molengas!
_Cheguem logo suas lerdas!
_Andem seus molengas!
_Cheguem logo suas lerdas!
A sorte foi que
cansaram e antes que morrêssemos nos jogaram no aquário, conseguimos nos
recuperar. Mas o verdadeiro motivo da minha chateação é essa confusão, não
sabem distinguir entre um caramujo e um caracol. Não sou um caracol que rasteja
na terra e respira pelos pulmões e pele, sou um caramujo, tenho brânquias e
dependo de água para respirar. Agora fico com as minhas preocupações. Vou ali
na borda colocar uns 1.500 ovos, o pior é se minha amada estiver fazendo a mesma coisa no outro canto
do aquário. Como vamos sustentar 3.000 filhos-filhas?
ESCOLA ITINERANTE DE TEATRO E PERFORMANCE/EITP ETAPA PLATAFORMA

CHEGOU A HORA DE PLATAFORMA!!!!
INSCRIÇÕES ABERTAS!!!
ESCOLA ITINERANTE DE TEATRO E PERFORMANCE - 5ª EDIÇÃO - OCO Teatro Laboratório
ETAPA - Teatro Plataforma - 05 A 17 DE MAIO DE 2014.
INSCRIÇÕES GRATUITAS EM:
www.ocoteatro.com.br
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terça-feira, 15 de abril de 2014
ENTREVISTA: GUSTAVO MARTINS / MINICONTOS PERVERSOS
- A entrevista da vez é com o publicitário, músico e escritor Luis Gustavo Martins, autor do blog e do livro de mesmo nome: Mincontos Perversos. Natural de Lins, paulista de 43 anos, faz parte do cenário cultural Curitibano e vale a pena conhecer um pouco mais sobre sua trajetória, convido vcs a conhecerem um pouco desse mundinho dos minicontos, aconselho a despir dos preconceitos e experimentar livro e blog, de vez em quando um nó danado outros ficarão rubros ou ainda a sensação das primeiras piadas picantes, ou então fiquem, fiquem indignados...
- Dea Mota: O que o motivou a começar a escrever, criar um blog e quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha, ou seja o livro ou o blog?
- Gustavo Martins: Comecei ler (de verdade, livros grandes e complexos) bem cedo, a escrever poesias e músicas cedinho, lá pelos 13 anos. Aí na época do vestibular pratiquei muita redação. Quando entrei na faculdade de propaganda foi natural me bandear pro lado da redação publicitária (lembra? textos curtos.30 segundos pra rádio e TV, síntese máxima para outdoor e anúncios.Mais ou menos nessa época li Hemingway e Rubem Fonseca e me apaixonei pelos contos (short stories) Um dia, lá pelos 25 anos me deu o click. E se eu escrever contos mais e mais curtinhos, usando o mínimo possível de texto, como faço em propaganda?Aí nasceram os MiniContos Perversos. Fui escrevendo um atrás do outro sem ter onde publicar, pensando, um dia uma grande editora me acha. Lá pelos idos de 2007 descobri os blogs -- perceba, meio atrasado.Em 2008 nasceu http://minicontosperversos.blogspot.com/ Os contos narram com naturalidade e sem emitir opinião acontecimentos que, para a massa seriam chocantes.Por isso perversos.
- Dea Mota: Seu contos curtos tem um pouco de subversão, comicidade sutil, crueldade poesia e elementos do cotidiano.
- Gustavo Martins: Digo que são contos de auto-ajuda só que ao contrário
- Dea Mota: Você se inspira em algum autor em particular?
- Gustavo Martins: .Charles Bukowski, Dalton Trevisan, Bill Waterson (Calvin & Hobbes) e todos os grandes e antigos do blues.Fujo de anedotas e de noticiário policial
- Dea Mota: Costuma usar algum setor especifico da arte como inspiração?
- Gustavo Martins: Rock'nroll, blues e conversa de boteco.Aliás, a dialética de boteco é uma das artes mais sérias e inspiradas da face da terra.Ah assisto e gosto de sitcons americanos, mas eles não inspiram. Me deixam mais burro. Quando assisto muitos deles, escrevo menos.A felicidade me faz escrever menos.Parece que tristeza é o combustível mais usado pelos criadores, a insatisfação, a necessidade de preencher o vazio, gente feliz não precisa escrever e quando fazem, fica monótono e mecânico.
- Dea Mota: Tem vezes que penso o mesmo , mas sabemos que não é uma regra.
- Gustavo Martins: Até a maldade é um bom combustível também.
- Dea Mota: Você criou uma personagem, o Zé, pois me diga : É uma personagem mesmo ou é o seu alter ego.
- Gustavo Martins: O Zé existe em cada grupo de amigos. Não criei não, só dei forma.O Zé, diferente do que muita gente possa pensar, é um romântico mulherengo com problema de autoestima.Ele personifica as dezenas, centenas de histórias de conquistas que ouvi dos amigos, imaginei e, quem sabe, vivi. Mas veja, o Zé nunca é um cara bem-sucedido. Aí perderia a graça (lembra do que falei dos escritores felizes. O Zé se esforça pacas, ás vezes é politicamente incorreto e, invariavelmente, se dá mal, como nas histórias de caras que se dão muito bem são inverossímeis; são aquelas que escutamos de babacões que (quase sempre mentindo) contam vantagem.O Zé é reflexo da realidade.
- Dea Mota: Pra mim que sou fã é um anti herói perfeito, é aquele homem que faz parte das nossas vidas reconhecemos em seus erros e pilantragens mais ainda amamos por ser exacerbadamente humano e capaz do inesperado, desculpa mas é que sou fã do MCP
- Gustavo Martins: A mim não, sou menos que coadjuvante.
- Dea Mota: Mas vc se reconhece em algumas daquelas histórias, né?
- Gustavo Martins: Seria abominável se não me reconhecesse. As histórias nem sempre são contruídas por narrativas lineares. Às vezes uso trechos de 2, 3 narrativas para escrever um MCP.Principalmente em relação ao fim. Conto bom tem que ter fim, mas na minha "casta" opinião, não pode ser "sacadinha", senão vira anedota. Aí uso a imaginação ou junto histórias para criar finais aceitáveis (para um bom leitor).
- Dea Mota: Surpreender sempre.
- Dea Mota: Surpreender sempre parece ser o seu lema.
- Gustavo Martins: Mas SEM SER SACADINHA.Tem escritor de conto que não entende isso. Aí escreve 23 contos, e ficam todos com a mesma linha narrativa, ficam previsíveis.Tedioso ler 90% dos escritores e 99% dos poetas.
- Dea Mota: Como vê a condição do autor literário no Brasil? Você pensa em tentar viver algum dia exclusivamente de suas obras?
- Gustavo Martins: Nem de literatura nem de música.Escrevo porque gosto. E o que gosto, que é LITERATURA, não vende.E se for me prostituir e escrever só o que o povo gosta de ler, aí é a mesma coisa que trabalhar no escritório que trabalho.Vou te contar uma coisa que exemplifica bem isto.Meu blog (de literatura, portanto, não tenho 10.000 acessos dia, mas algo em torno de 200, o que é muito bom pra literatura) tem um público fiel. Lancei o livro. Muita gente não comprou, pois, por mais que se amarre no blog, tem de graça os contos ali. PRA QUE COMPRAR O LIVRO? Usuários de internet são freeleadeers. QUerem o conteúdo de graça.
- Gustavo Martins: Nada de OPS. Tem amigo meu de infância que acha inconcebível não ganhar meu livro. Com música -- sou músico de rock'n'roll e blues também, baixista e vocalista da Sociedade Secreta do Rock -- é a mesmíssima coisa.Como sou um cara que gosta de certos mimos, prefiro viver bem e levar a literatura e a música de um jeito mais prazeroso.
- Era pra ser um power trio (baixoo, guitarra e bateria), três caras fazendo som de uma orquestra, como acontece com Cream, Hendrix e Stevie Ray Vaighan, mas aí a putaria da noite criou uns empecílios pra um dos membros que saiu. E foi substituído. Quando ele botou ordem na vida e resolveu voltar, ficamos em 4.Tocamos rock e blues, nacionais e de fora, honestos, com muito improviso.Tocamos o que gostamos de tocar.Viu o último clipe né?As músicas sempre soam um pouco mais pesadas e sujas, sempre com uma levada muito particular.Só usamos intrumentos vintage (caríssimos, lembra, pequenos prazeres) que garantem um som único e puro.Puro não, potente. Um som que a eletrônica não garante.Sobre o livro...
- Gustavo Martins: Ah! Hoje a blogsfera é bem diferente, nesse sentido o Facebook e os e-mails e messengers salvam. Secar a máquina pública, investir em eficiência. Com o ganho investir em educação e em uma população crítica e pensante.A partir disso, o consumo e a produção de conteúdos de qualidade acontecem naturalmente.É fácil ler blogs de piadinha e fofoca. É fácil passar o dia vendo bumda de mulher bonita. Nâo exige esforço.Agora, exercer o pensamento crítico é outra história. Não que seja difícil de ler, mas o que escrevo exige um pouco de esforço de quem consome.É como tomar uma boa e forte cachaça de alambique. Não é pra qualquer paladar. Tem que ter treino.Por outro lado, tomar vinho docinho geladinho é fácil. Só que..,. AGUENTE a ressaca no dia seguinte.
- Dea Mota: Deixa um recado pra quem está iniciando nessa aventura
- Gustavo Martins: Leitura de textos curtos, como os MCPs, é um exercício de criação e imaginação também. Então, ao entrar nesse mundinho vagabundo, solte os freios. Em pouco tempo você vai se apaixonar.
- Visitem: http://minicontosperversos.blogspot.com.br/
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
ENTREVISTA: AMADEU ALVES

Amadeu Alves Ribeiro Filho, nascido e criado perto do mar de Itapuã e da Lagoa do Abaeté, músico de mão cheia, que faz da sua arte, seu labor, sua vida, levando sempre poesia por onde quer que passe, a frente da Casa da Música como diretor compartilha aqui um pouco da sua vida e da luta pelo resgate e valorização da cultura local do bairro de Itapuã, seus trabalhos premiados para o teatro, e o grupo As Ganhadeiras de Itapuã
Dea- Como
e quando você despertou para vocação musical?
Amadeu- Ainda na barriga da
minha mãe, eu já tocava cordão umbilical, depois vivenciando toda a
musicalidade que frequentava a minha casa, onde meus irmãos tocavam violão e me
ensinaram, onde os amigos de meus irmãos traziam junto com a amizade, os
instrumentos do grupo regional que animava as festas que minha mãe acolhia e
participava com muita alegria. Nos discos que meu pai comprava e que fizeram
parte da minha infância. Nas festas populares do meu querido Itapuã. Acredito,
que no meu primeiro mês de vida, que foi o mês de junho, devem ter acontecido
muitas coisas que me despertaram musicalidade.
Dea- O bairro de Itapuã exerceu influencia nessa sua
escolha?
Amadeu- O bairro de Itapuã é
essencial nesse despertar, inclusive a nível ancestral, pois sinto minhas as
tantas histórias ainda não contadas das tribos e aldeias que aqui existiram,
que hoje estão guardadas em cada grão das areias brancas do Abaeté, por
exemplo.
Dea- Como vê o cenário musical da Bahia na
atualidade?
Amadeu- É uma fonte abundante
de possibilidades, que nem a pasteurização imposta pela indústria cultural que
assola e tenta solapar a criatividade de nosso povo, vai estancar. Muito está
sendo semeado, e já brota uma nova cena bem mais rica do que vimos nos últimos
25 anos.
Dea- Você fez a direção musical de alguns espetáculos
premiados, um deles tive a honra de participar como atriz, fale um pouco sobre essas experiências.
Amadeu- Olha, dos espetáculos
premiados que fiz direção musical, Um dia um sol (Deolindo Checcucci) arrebatou
alguns prêmios pelo Brasil, em Florianópolis, em Guaramiranga no Ceará, João
Pessoa. Ai veio Yába, Nasce Uma Nação (Hirton Fernandes / Grupo Tupã),
revelação do teatro baiano (Prêmio Braskem), e no festival de teatro de São
Mateus (Espírito Santo), além do grande prêmio que foi ter excursionado pela
Dinamarca. Teve também O Vôo da Asa Branca, premiado e reverenciado pela
crítica brasileira. E cada direção musical que fiz, entre as mais de 15 peças
de teatro, espetáculos de circo, de dança, é sempre uma experiência vitoriosa
quando você vê o resultado nos palcos e picadeiros, sentindo a reação da
plateia. E nesse contexto, não posso deixar de falar da grande experiência do
meu primeiro trabalho para teatro, que até hoje encanta o público onde
apresentamos, chegando em 2015 aos 20 anos de carreira com quase mil apresentações,
que é o FERNANDO PESSOA, com o grande ator Marcos Machado.
Dea- Vc foi premiado com o troféu Caymmi, isso mudou
alguma coisa no seu trabalho ?
Amadeu- Sem dúvida, de alguma
forma o trabalho passou a ter mais respaldo. Não é qualquer trabalho que é
premiado pelo Caymmi, numa categoria especial, concorrendo com nomes de peso do
cenário cultural baiano. O respeito pelo artista passa também por esses
reconhecimentos que chegam ao longo da trajetória.
Dea- Atualmente vc dirige a Casa da Música em Itapuã, como entra na sua vida e o que ela representa ?
Amadeu- Tem coisas que
acontecem pela força da história, e nesse caso a história do meu trabalho com a
coletividade, com todo o esforço e dedicação a uma causa, as pessoas enxergaram
e no momento em que se apresentou a necessidade da ocupação dos espaços culturais
da Secult-Bahia por pessoas com perfil de empreender a dinamização dos locais
com propriedade, naturalmente a peça encaixou e a engrenagem gerou todo esse
trabalho que estamos desenvolvendo na Casa da Música. Ela hoje representa e é
um polo emissor e receptor da cultura de Itapuã. É um órgão vital que bombeia
um fluxo de seiva que alimenta algumas iniciativas artísticas do bairro. É um
pequeno grande espaço da cultura baiana.
Dea- Você
vem realizando um trabalho de resgate cultural com as Ganhadeiras de Itapuã fale
um pouco sobre esse trabalho.
Esse é um trabalho,
fruto de muita dedicação, da busca de dar seguimento à tarefa de MANTER A
TRADIÇÃO, e ao mesmo tempo seguir em frente. Estamos num momento especial, onde
o grupo comemora seus dez anos de existência com o lançamento do seu primeiro
CD. Pense em um grupo com 40 integrantes, com idades entre 10 e 83 anos. Com
uns abnegados zeladores, onde além da minha pessoa, pode-se encontrar Jenner
Salgado, Salviano Filho, Edvaldo Borges, trabalhando pela manutenção e sustentabilidade
do grupo. E ai, muitas outras parcerias vem se juntando ao trabalho, que é uma
referência da cultura baiana e brasileira.
Dea- Sua
característica é a de sempre estar em movimento, em parcerias, quais os novos
projetos?
Cuidar do que já foi plantado
e plantar novas sementes, começando pelo trabalho interior de renovação e
fortalecimento.
Quero poder cada vez
mais me aproximar das coisas simples que me trazem benefícios, e na medida do
possível mostrar algo para as pessoas que possa se tornar comum.
Dentro do trabalho
musical que desenvolvo, onde a música instrumental é uma das vertentes mais
fortes, venho trabalhando com a REDE SONORA, em parceira com Fabrício Rios,
Jonga Lima, e outros tantos contemporâneos que podem ir a construir um trabalho
cooperativo.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
ESCOLA ITINERANTE DE TEATRO E PERFORMANCE
De 10 a 22 de março no Centro Cultural Plataforma e de 24 de março a 4 de abril no Cine Teatro Solar Boa Vista, o Grupo Oco Teatro Laboratório irá realizar a 5ª Edição da Escola Itinerante de Teatro e Performance -EITP, onde serão oferecidas às comunidades dos bairros de Plataforma e Engenho Velho de Brotas 4 oficinas gratuitas de teatro que resultarão em uma intervenção que ocupará as ruas, casas, espaços alternativos e os respectivos teatros de cada comunidade. Além de 1 conferência sobre teatro e performance, bate-papo sobre as oficinas e lançamento da 2ª edição da revista Boca de Cena.
Mais informações aqui
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
DEA NO MUNDO ENTRE OS 100 TOP BLOGS DE NOVO

PELA TERCEIRA VEZ CONSECUTIVA O DEA NO MUNDO FICA ENTRE OS 100 TOP BLOGS.
EM BREVE OS CONTINHOS DE SEMPRE ENTREVISTAS COM ARTISTAS DE VÁRIOS SETORES.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
ESTE SOU EU
A mocinha conseguiu um bico no aeroporto: ficar o dia todo em pé com uma placa na mão recepcionando pessoas que chegavam para um evento. Muitas pessoas trabalham assim. Bonita farda, placa na mão, onde estava escrito Sr. Carlos Montovani, um dos palestrantes mais importantes.
Ela tinha outras informações adicionais: número do vôo, procedência, horário. Organizada dessa maneira, se pôs a postos, alta nos saltos, sorriso aberto e a placa em riste.
Os dedos dos pés lhe doíam quando já esvaziado o saguão aparece um senhor simpático de cabelos brancos e uma enorme mala quase estourando de tão cheia apontando para a placa e dizendo:
— Este sou eu.
A menina retribuiu o sorriso.
— Seja bem vindo, Senhor Carlos Montovani. A van nos aguarda.
Ela tinha visto em algum lugar que as pessoas adoram ouvir o seu próprio nome e resolveu que iria repetir pra causar boa impressão sempre que tivesse chance.
— Obrigada mocinha.
— Senhor Carlos Montovani, irei buscar um carrinho para colocar a bagagem.
— Tudo bem então.
E nisso o zíper da mala se rompe derrubando todo o conteúdo pelo chão, roupas, CDs e muitos papéis.
— Ah meu Deus! O material da minha palestra! Ande, me ajude aqui, rápido!
— Sim, Senhor Carlos Montovani.
— Sim, Senhor Carlos Montovani.
A recepcionista ficou atrapalhada com tantos objetos espalhados e com a pressa que lhe era imposta quase aos gritos. Mesmo assim, tentava fazer o melhor. Aquele senhor demonstrava muita arrogância.
Finalmente ela conseguiu juntar tudo, fechou a mala. Ele se recompôs, ela também, quando mais que de repente passa outra recepcionista, provavelmente de outro evento, com uma placa na qual se lia o nome Senhor Francisco Almeida.
O senhor Carlos Montovani sorri arrastando a mala e apontando para placa afirma com muita convicção:
– Este sou eu.
– E se foi.
A mocinha estava tão cansada e incrédula do que acabava de passar que arriou o corpo numa cadeira, deixando a placa no chão e começou a chorar de raiva. É quando um rapaz lindo lhe toca o ombro, ela muito irritada e sem olhar, sacode o ombro e responde pra dentro:
— Que é?
— Oi, bom dia – ele diz com voz gentil, quase sedutora.
— Que é? – responde a moça, quase gritando.
— Tudo bem?
Ele insiste no tom aveludado e ela grita com toda sua força e irritação, sem se preocupar com os modos.
— Droga, me deixe em paz!
— É que este – diz o lindo, apontando para a placa – este sou eu.
Vampira Dea
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
O PALCO DA TARDE
A
tarde chega naquela praça totalmente desprovida de atrativos, pobre e sem graça,
seca e sem cor. Porém o sol se põe deixando uma tênue cor de rosa no horizonte,
talvez para o alento de quem passe. Contudo afirmo que não adiantaria ter graça
mesmo, pois o lugar estava repleto de uma gente que lutava dia após dia para
não perderem o mesquinho dom que tinham de existir repetindo seus dias de
mediocridade e nem perceberiam essas nuances.
Seres
humanos de aparência feia e linda, jovens e velhos, ricos e pobres
democraticamente dividiam este espaço e refaziam os mesmos caminhos todos os
dias, para ir aos mesmos lugares: Escolas, restaurantes,
hospitais, lojas, escritórios. Falavam os mesmos verbos, os mesmos adjetivos
pelos cotovelos, repetindo sem parar as suas idiotas convicções e nada
surpreendia, pois o cotidiano era banal e estavam mais que acostumados.
Ser
diferente neste lugar era proibido, assim àquele que infligia às regras sofria
duras criticas e depois eram isolados, fazendo com que não suportassem e
mudassem de cidade, mal sabendo o castigado que assim descobriria a liberdade. Mas
o ponto principal realmente era a praça. Neste espaço apontavam, indagavam e
rejeitavam qualquer tentativa mínima de autenticidade, até as crianças desse
lugar já nasciam aptas a vigiar para criticar:
Um
dia eu mesma enquanto anotava umas palavras aleatoriamente para construir algum
texto com elas, enquanto observava à tarde, fui indagada por uma linda menina
que passava no veículo escolar. O sinal fechou ela aproveitou e gritou apontando
para chamar atenção:
—O que é isso?
Perguntou da janela para meu colega que fazia o mesmo que eu, ele ficou meio
sem graça. Eu impaciente que sou vendo que o sinal não abria e a menina não
parava de atirar a mesma pergunta, respondi com a primeira palavra estranha que
me veio a cabeça:
—É
performance minha filha, é performance.
O
sinal abriu e ela se foi muito feliz com a resposta, compartilhando com os
coleguinhas, repetindo a palavra que nem sabia o significado. Mal sabendo ela
que já estava dividida por duas linhas finas, pois sabia vigiar os outros e ao
mesmo tempo corria perigo por demonstrar felicidade.
Sim,
isso mesmo que você deve ter pensando, feliz não era um estado permitido nesse lugar,
a não ser que fosse a breve euforia experimentada com a derrota alheia. E
voltando ao ponto principal a praça sem graça, aonde todos desfilavam ansiando
serem notados e como num grande concurso de vaidades disputavam tudo entre
olhares e risos de escárnio. O mais belo, o mais feio, o mais chato, o mais
rico, em fim o mais qualquer coisa que fosse. Mal sabiam que o destino comum de
todos os que desfilavam todos os fins de tardes naquela praça estava ali a
poucos metros, a sete palmos, no solo sagrado que ficava bem no centro daquele
palco coletivo de vaidades.
Vampira Dea
domingo, 27 de outubro de 2013
ENTREVISTA A FULGENCIO MARTINEZ LAX

Fonte; google
O nosso primeiro entrevistado é o espanhol Fulgêncio Martinez Laz; Dramaturgo, Doutor em Filologia Hispânica pela Universidade de Múrcia, Com livros publicados, roteiros para filmes e textos encenados inclusive fora da Espanha, também é o diretor do Festival OTRO de Teatro sediado na cidade de Múrcia, abrindo o circulo de entrevistas com chave de ouro.
Obs; optei por deixar a entrevista na língua original, podem recorrer ao tradutor do blog. Selecione espanhol e depois de traduzido selecione português.
Obs; optei por deixar a entrevista na língua original, podem recorrer ao tradutor do blog. Selecione espanhol e depois de traduzido selecione português.
D.N.M. Quando e porque começou a escrever dramaturgia?
Fulgencio Esta pregunta no tiene una
respuesta clara porque no recuerdo cuándo y no sabría explicar muy bien por qué
escribo teatro. Al respecto sí que puedo decir que hay una inflexión muy
significativa en mi dramaturgia que divide mi trayectoria en dos: Hasta que a
comienzos de los 90 escribo Oliverio, un héroe cruzando el parque, por
un lado y todas las obras que escribí anteriormente, por otro. Todo el trabajo
de esa primera etapa fue a parar a un cajón y luego a una hoguera en la que me
liberé de la nostalgia del pasado. Tampoco sabría decir qué es lo que motivó el
cambio de estilo, de temas y de actitud. Yo siempre he sido muy sensible a los
cambios socio políticos de mi entorno y así se ve reflejado en mi obra. Europa,
en ese momento, estaba cambiando, España estaba experimentando un cambio
profundo en sus estructuras socio económicas y la terrible guerra de la ex
Yugoslavia comenzaba a gestarse. Como resultado de esta guerra nace la obra El
puesto, un alegato a la paz y al rechazo bélico en general, y entre civiles
y vecinos en particular.
Supongo que empecé a
escribir en la primera etapa de mi adolescencia, y como casi todos los
adolescentes, me inicié en la poesía, en el relato íntimo y existencialista.
Poco a poco me fue atrapando el teatro y tengo un recuerdo muy preciso de la
influencia que en mí ejerció ver el espectáculo La clase muerta, de T.
Kantor. Una influencia que ha asomado muy posteriormente en las obras que
escribí para El ciclo de la muerte: La canción de los hombres muertos; El
campo de los silencios; La flor de los pétalos marchitos y Los que no van a
ninguna parte. Entre todo esto reconozco la influencia que sobre mi
dramaturgia ejerce Samuel Beckett.
D.N.M. De onde vem a sua inspiração?
Fulgêncio Otra pregunta difícil de contestar. Casi imposible, aunque tengo
que confesar que sin dolor no puedo escribir. Escribo desde la crisis de mi
conciencia y de mis ideas, desde la tensión que me produce el dolor que me
rodea, casi siempre social, aunque no escribo teatro estrictamente calificado
como social, estaría más en el terreno del existencialismo analítico. Escribo
desde la incertidumbre, desde el miedo, desde la perplejidad del hombre como
depredador de su propia especie, incluso de sí mismo. Así, te podría decir que
me inspira la introspección y el silencio, la angustia de los sonidos que al
final pueden llegar a convertirse en gritos desesperados. Me inspira escuchar
un violonchelo, pero también los extraordinarios aromas que recorren mi ciudad
en primavera. Y como extraordinarios que son me remiten a paraísos
artificiales, como diría Baudelaire. La cuestión está en que mis personajes
saben que son artificiales, que son espejismos pero no pueden sustraerse a un
destino que ellos no han elegido. Aún así, sucumben y se ven derrotados porque
al final, el tiempo siempre los engaña.
D.N.M O que mais te atrai no universo do teatro?
Fulgêncio Me dijiste que eran preguntas
sencillas y me encuentro ante una gran dificultad a la hora de poder contestar.
No lo sé. No sé qué es lo que me atrae del mundo del teatro, lo que sí sé es
que estoy felizmente atrapado en el mundo del teatro. Me atrae la magia, la
forma en que nos permite recrear el mundo sobre la escena. Me atrae la enorme
diferencia que hay entre un novelista y un “teatrero”. Aquel es un contador de
historias, pero nosotros contamos cómo suceden esas historias. Cómo se
construye el mundo, cómo es el devenir de la vida de nuestra comunidad. Y todo
eso se lo mostramos a nuestros vecinos, a los que les permitimos mirar, por el
ojo de un cerradura, cómo se gesta el universo de convivencia y lucha. Me
fascina ver cómo un director reinterpreta mis textos y convierte la palabra
escrita en palabra vivida. Yo soy un autor muy colaborador con las
representaciones de mis obras y suelo participar (cuando puedo) en sus
montajes. Es como si pudiera experimentar un segundo viaje en el proceso de
creación del texto para la escena.
D.N.M. A obra literária ao longo dos anos vem deixando de ser o fundamento principal do teatro passando a ser material significante subentendido e na maioria das vezes manipulado. Como dramaturgo o que pensa sobre ?
Fulgêncio Para
responder a esta pregunta tengo que partir de la siguiente afirmación: El
artista es deudor del tiempo que le ha tocado vivir. Pertenece a la Historia y a la Cultura en la que vive. Y
es este marco el que, de una forma u otra, condiciona y modifica su trabajo de
creación. Así pues, cuando nos interesa trabajar con una obra que no pertenece
a nuestro tiempo y a nuestra Historia, incluso a nuestra Cultura, como por
ejemplo cuando queremos montar a un Shakespeare, a un Calderón o a un Arthur
Miller; en estos casos es necesario, incluso conveniente, intervenir el texto y
entrar en el ámbito de la adaptación y la versión para no caer en la
arqueología teatral y convertir nuestro espectáculo en un museo dramatúrgico.
Pero luego están esos directores que tienen una historia en la cabeza, sea la
que sea, y buscan el texto que ellos creen más conveniente para encajarla, algunas
veces realizando verdaderas piruetas de lectura e interpretación, y se corre el
riesgo de traicionar el espíritu de la obra original. El resultado casi siempre
es artificial e insuficiente, salvando las excepciones, que las hay. Por eso
creo que es muy importante el proceso de documentación y estudio, el de
aplicación dramatúrgica, el de reflexión y búsqueda de líneas de desarrollo y
de aplicación para traer a nuestro tiempo las obras que despierten nuestro
interés y, sobre todo, nuestra necesidad expresiva. A veces el afán por la
búsqueda de un título de referencia que garantice un cartel y facilite la
distribución intoxica un poco el proceso creativo. Por eso vuelvo a reiterar lo
importante que es la necesidad expresiva. Y hablo de necesidad porque yo soy un
artista en el que la necesidad de escribir y de estar inmerso en procesos de
creación es vital
D.N.M Que trabalho mais te satisfez como criador?
Fulgêncio Para mí, como autor de
teatro, me produce enorme satisfacción cuando veo sobre el escenario a mis
personajes, a mis espacios, a ese mundo que se ha ido gestando desde mi
imaginación primero, luego en la pantalla del ordenador y luego, a través del
papel y un director con su equipo, en algo vivo sobre el escenario. Es una
experiencia que no por haberla vivido repetidas veces se presenta como nueva y
fascinante en cada momento. La emoción es angustiosa cuando va a arrancar el
espectáculo, no ya sólo el día del estreno, sino también en cada representación
a la que asisto. Pero esa angustia se va convirtiendo en un placer inexplicable
cuando el público entra en el universo que le has dibujado.
D.M.N. As questoes politicas atuais da Espanha tem influenciado seu trabalho? De que forma?
Fulgêncio El movimiento asambleario que se da en España a partir del
movimiento 15M (15 de Marzo), o también llamado movimiento de los indignados,
tiene una influencia especial en uno de mis últimos trabajos: Ciudadano,
escrito a partir del informe que Amnistía Internacional realiza sobre la
intervención policial en las manifestaciones en Europa en 2011. Es una obra muy
brechtiana, pero también muy en el marco del teatro documento de H. Kippart. Además,
abre la puerta a los trabajos que sobre la Memoria histórica estoy realizando a partir de
los textos: Las últimas balas y Al paso alegre de la paz. En esta
línea han continuado una serie de monólogos breves con ese tema de fondo. Ahora
estoy inmerso en dos líneas de trabajo paralelas: La inmigración por un lado y
el despotismo de la clase política por otro. Yo creo que hoy, más que nunca, se
necesita una dramaturgia de urgencia. Una dramaturgia que no deje pasar este
periodo de la Historia
en la que Europa y España en particular, está sufriendo un profundo cambio
hacia un futuro muy incierto para la ciudadanía, pero muy claro y evidente para
los grandes capitales y sectores financieros.
D.N.M. A Europa enfrenta uma grande crise, como isso tem afetado os artistas e suas demandas criativas?
Fulgêncio En España la crisis está sirviendo de excusa al gobierno para
desmantelar todo el tejido cultural y plantear otro distinto basado en una
ideología conservadora y reaccionaria. Este cambio no tiene nada que ver con la
crisis, aunque evidentemente ha afectado al soporte económico. Pero no se han
puesto alternativas que garanticen la independencia, la pluralidad y la riqueza
artística y cultural de nuestro país. No sólo se está desmantelando el tejido
cultural, sino que un cierto estado de bienestar que habíamos alcanzado basado
en un sistema educativo, sanitario y de pensiones muy solidario, también se lo
están cargando y poniéndolo en bandeja al sector privado. Una vez más la banca
gana la partida y el ciudadano vuelve a la realidad: En el siglo XVIII y en el
XIX éramos esclavos que realizábamos el trabajo físico y teníamos una
dependencia vital directa de nuestros amos. Hoy somos esclavos de unos amos
contra los que no podemos combatir porque no sabemos donde están: La bolsa, los
inversores, los especuladores, los bancos, los grandes capitales. Y todo ello
amparado y protegido por los gobiernos. Al respecto, el artista tarda en
reaccionar. El teatro, como otras manifestaciones, está tardando en convertirse
en la ventana necesaria que saque a la luz toda la basura en la que estamos
viviendo. Lo mismo le pasa a otro tipo de manifestaciones.
D.N.M Existem leis de incentivo?
Fulgêncio Las leyes, en el ámbito de la cultura, tienen que ser protectoras
y facilitadoras de proyectos. ? que contribuir al desarrollo y
consolidación social. Para ello han de proteger la actividad cultural de la
actividad política, del ejercicio sin control y partidista del político de
turno. Tienen que ser leyes generosas con el ciudadano, con su desarrollo, con
su actividad de convivencia social, con su crecimiento como ser que se
relaciona y como salvaguarda que es de la tradición y del futuro de la
comunidad a la que pertenece.
D.N.M. O que você pensa da dramaturgia contemporânea Latina?
Fulgêncio La dramaturgia
contemporánea Latina es inmensa. En Brasil he encontrado dramaturgos distintos
a los ecuatorianos y estos distintos a los colombianos y, a su vez, estos
distintos a los españoles. Y dentro de cada país también existen las
diferencias marcadas por la cultura y la tradición. Hay muchas dramaturgias
latinas y encontrar una línea isotópica que reúna aquello que es fronterizo
ante lo que no es latino, creo que es bastante difícil cuando no inexistente.
Aún así yo diría que esta dramaturgia se hace grande cuando no imita a otras
culturas y convierte la suya propia en fuente generadora de inspiración, entonces
se hace rica, explosiva y de una calidad infinita.
D.N.M. No Brasil não é estimulada a leitura de produção literária dramática, na Espanha é diferente?
Fulgêncio Al respecto yo tengo una opinión muy particular. Yo sacaría el
teatro de cualquier tipo de actividad académica. Es muy complicado animar al
alumno a leer teatro en la escuela, mientras está en su tiempo académico y
luego querer que eso lo traslade a su tiempo de ocio. Mira lo que ocurre con la
música contemporánea, no es necesario que se imparta en el aula para que el
niño sea un auténtico experto en la música que le gusta y se llenen los
conciertos. Ahora bien, las autoridades culturales deberían facilitar que, en
ese tiempo de ocio, el niño pudiera desarrollar sus inquietudes artísticas,
entre ellas el teatro. Aquí tenemos mucha responsabilidad los que nos dedicamos
a esto, pues algunas veces no somos capaces de entrar en sintonía con el
universo del público al que nos dirigimos. Reconozco que esta pregunta abre un
debate más profundo y con más extensión de la que yo le dedico aquí.
D.N.M. Você é diretor do festival internacional de teatro na cidade de Múrcia, o Festival OTRO . O que te motivou a criar-lo e o que vem sendo suscitado a partir dele?
Fulgêncio Poder llevar
a cabo este Festival ha sido una de las experiencias más interesantes en las
que he participado. Mi relación con algunos países de Latinoamérica, del Este
de Europa y de África, por un lado; así como la importante presencia migratoria
en Murcia (España), ciudad en la que vivo, de comunidades procedentes de esos
países, fueron dos hechos determinantes para decidirme a organizar un Festival
de estas características, donde pudiéramos concitar la presencia de compañías
procedentes de estos lugares. La experiencia humana y artística fue
extraordinaria. Ojalá vuelvan a darse las condiciones para poder abordar un
proyecto igual o similar al Festival OTRO.
D.N.M. Em 2012 você esteve presente como convidado no Festival Latino Americano de Teatro da Bahia FILTE que é realizado pelo grupo Oco
Teatro Laboratório. Qual a sua impressão sobre a cidade e os artistas participantes?
Fulgêncio Salvador de Bahía me impresionó hasta
la fascinación. Me traje muchísimas fotografías y pequeños dibujos para fijar
en la memoria la belleza que descubrí en esta ciudad brasileña. Pero yo soy de
la opinión que las ciudades no son bellas o dejan de serlo por su arquitectura,
sino que esta belleza se dimensiona por la calidad de sus habitantes y, al
respecto, tengo que decir que incluso del soteropolitano anónimo recibí un
exquisito y hospitalario trato. Una vez que fui capaz de traspasar esa barrera
comercial creada para el turista, pude experimentar la riqueza cultural de esta
ciudad, pero además la extraordinaria y terrible historia de esclavitud que la
sustenta. El Festival (Filte) me ofreció la posibilidad de asistir a unos
espectáculos muy buenos, y así lo dejé por escrito en las críticas que escribí
de cada uno de ellos. Pero además, el trato directo con los artistas, el
intercambio de experiencias y proyectos convierten a este festival en una
referencia importante en el ámbito de las Artes Escénicas Latinas. Y una cosa
más, la organización de un evento de esta magnitud, en el que convergen
compañías de distintos y lejanos países, con culturas diferentes, exige un
equipo de alto nivel profesional en la gestión para garantizar el éxito humano,
cultural y artístico del Festival. Esto sucedió así. Lo mejor de participar en
un evento de este nivel de calidad son las ganas que le quedan a uno de volver.
Sólo eché de menos una cosa: Poder ver,
una vez más, el extraordinario trabajo que Oco Teatro realiza sobre el
escenario.
D.N.M Para encerrar algumas palavras para quem pretende enveredar no caminho da escrita.
Fulgêncio Para aquellos que se inician las tareas de creación dramatúrgica les diría que
esta parcela del teatro es fascinante,
es mágica, pero es tremendamente dura porque es trabajo sobre trabajo. Además,
los autores contamos con una ventaja sobre los directores y los actores:
Podemos repetir y revisar todas las veces que sea necesario nuestro trabajo
hasta llegar al momento que consideramos oportuno. El actor tiene una
disciplina marcada por el tiempo hasta llegar al estreno, y en ese espacio de
tiempo ha de construir y crear sobre nuestro trabajo. Su ventaja, que también
es fascinante, es hacer vivo lo que nosotros hemos escrito. Y esto es una
aventura irrepetible y distinta cada vez que se inicia este proceso creativo.
Pedagogia y teatro. Murcia/1995.
Oliveiro, un héroe cruzando el parque. Murcia/1995.
Los muertos no juegan. Murcia/1996.
La gasolinera. Murcia/1997.
El vendedor. Murcia 1998.
No Matarás. Murcia/1999.
La llamada. Murcia/1999.
Sancho Panza. Escudero famoso que servió con Don Quijote de La Mancha resolviendo entuertos por los caminos de Espana. Murcia/1999.
Paso a nivel con barrera. Murcia/1999.
Paginas da web
wordpress.festivalotro.com
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