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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A VIAGEM DA MINHA VIDA, PARTE VII, INDO EMBORA

Era dose domar aqueles meninos eu e minha amiga éramos minoria e por muitas vezes se não brigássemos feio prevalecia a vontade deles. Digo isso porque inventaram de ir a Puno viajando num ônibus de dois andares que era mais caro e algo me dizia que não ia ser bom. Ok, todos se divertindo, viagem tranquila vou ao banheiro e surpresa: Uma idéia de girico banheiro panorâmico, alguem já viu disso? a parte do banheiro que dava pra fora era de acrílico, vidro, sei lá e fui eu me sentindo a Priscila, Rainha do deserto só que no trono mesmo, ganhei até chauzinho de um cara que passou numa Mercedes velha.
Voltei mas não adiantava me zangar e fomos cantando, observando a paisagem, contando piadas. Quando chegamos a Puno eram quatro da tarde, e nos disseram que no outro dia, um domingo, seria a eleição para presidente na Bolívia e que seria um momento problemático. Nos desesperamos, pois qualquer impedimento de chegar a Cochabamba nos prejudicaria demais. Então tomamos a decisão de irmos para La Paz e passar a eleição descansando. A fronteira fechava as19:00 e já eram 17:30. Pegamos o ônibus e chegamos na fronteira um lugar esmo no meio do mato e umas casinhas goguentas. Já tinha fechado, no desespero juntamos todos que queriam migrar, e fomos ilegalmente na casa do funcionário, imploramos e ele nos passou modificando a hora. Fiquei triste porque só vi o Titicaca da janela do ônibus, mas um dia volto pra ver Pegamos uma van e quando pensávamos que já tínhamos chegado, mais uma vez tínhamos que pegar outra van para outro, e outro lugar até que chegamos o mais próximo de La Paz e resolvemos entrar num hotel, parecia aqueles de filme americano, com brigas e cabeceiras de cama batendo nas paredes. Pegamos outra van e paramos em uma cidadezinha. Ficamos na  rua com as bagagens enquanto dois colegas foram buscar um taxi, a demora foi grande e batia o desespero, estavamos parecendo heróis japoneses . Enfim chegou um taxi com cachorro dentro e tudo, embarcamos e quando chegamos ao centro de La Paz, não encontrávamos hotel, enfim conseguimos, passamos dois dias difíceis trancados no hotel, eu fraca e o Brasil ganhando a copa, voltamos para o Brasil e nos perguntamos porque passamos por tudo aquilo.
Pode até parecer um perigo sem proposito, ou que só tiveram momentos ruins, mas cada cheiro, cada pessoas que conheci, cada história que me foi contada, flor, verde, vento, frio, o sol, os olhares, foram emoções indescritíveis, voltei mais duas vezes, com conforto e programação perfeita, conheci e fiz amigos lindos, mas a primeira foi mágica, não sei explicar. Paro de contar porque ficou demasiada grande, porque não quero contar demais, ou sei lá, cansei, mexe comigo ainda.
Um vídeo de 2009, no final...

Abro e fecho meus olhosmuitas vezes, pisco sem parar como que para ter certeza do que vejo, sinto os cheiros o vento. Daqui de cima do cruzeiro de S. Cristovão o vento me chega diferente, é um mar de luzesserpentes vivas de fogo que saem da terra, são luzes, são pessoas. Não sei como tive coragem de subir aqui, o nome do percusso dado por um amigo meu é Jesus está chamando, porque o carro passa a centímetros de cair do despinhadeiro enquanto vemos casinhas coloridas que parecem feitas de caixas de fósforos e o guia insiste em mostrar o cemitério. Mas quando se chega tudo vale a pena, vejo toda a cidade até o mar, seus engarrafamentosluzesprédios. Vejo um incêndio o fogo lambe o céu, imagino o desespero e penso no meu próprio porque ainda tenho que descersendo que  subi porque esqueci como era...Coisas me voltam a mente, frescas, como foi quando estive aqui da primeira vez...e choro porque o tempo passa, porque tudo passa e fico feliz porque tudo passa. Subi de dia, desci de noite.

VIDEO DO MOMENTO DESSA SUBIDA FEITO POR TIAGO CHAVES
Voltei em 2010, volto se Deus quiser em 2013, dessa vez com meus filhos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A VIAGEM DA MINHA VIDA VI PARTE: MACHU PICHU

Deixamos as coisas no hotel e seguimos viagem com o minimo possível para Machu Pichu, foi tudo lindo e perfeito. Pegamos o trem que os nativos do lugar pegam, na espera pessoas vendiam de tudo, bonecas de pano absurdamente lindas e baratas. Os meninos compraram um queijo que uma senhorinha vendia segurando na saia entre as pernas, eu disse que não queria saber daquele queijo, que deveria estar fedido e os meninos disseram que justamente por isso deveria estar gostoso e compraram o bendito, bem mais barato. 
Chegamos e tudo foi perfeito menos a parte em que eu em Águas Calientes fui as piscinas térmicas minerais e passei mais tempo do que devia, resultado: uma coceira dos infernos.  Ah! ia me esquecendo botei um biquine e molhei a bunda no rio sagrado dos Incas o rio Yurubamba, quase morri  com a água fria rsrsr, mas se eu não me metesse nesses erros não seria eu. Para mim foi um alivio o calor e tudo mais, queria ter subido o Wana Pichu mas me deu preguiça, fiquei só curtindo o sol, a história a energia, ia esconder mais conto que subir a montanha pela madrugada não foi fácil no entanto tudo que meus olhos registraram valeu realmente a pena. Deu a hora de voltar e um de meus amigos não voltava do Wana Pichu, paciência, teríamos que ir pois era questão de sobrevivência, não podíamos arriscar a viagem de volta de todos, felizmente ele chegou a tempo e a viagem de volta foi tranquila com aquele sentimento de que somos poeirinhas no mundo e ao mesmo tempo maravilhados. Ah quanto ao queijo na hora que bateu a fome comi o danado e até esqueci da historia rsrsr.
Quando chegamos percebi uns sorrisos de alguns homens que estavam pela rua...
Mais um dia e estávamos indo, passeios pelos lugares que em tão pouco tempo me acostumei. À noite de volta ao hotel os gemidos foram terríveis, quase não consegui dormi, pensando naquela alma sofredora e pela manhã quando  enfim chegou o dia da partida os meninos resolveram contar que estávamos hospedados em um motel e eu lerda não tinha percebido e eu ficava sendo motivo de piadinhas porque com certeza estavam reparando que eu estava num quarto com quatro homens, Raiva. 
Pegamos o nosso ônibus e seguimos para Puno, iriamos ver o Titicaca e eu ansiosa...
Sensações:
Pegando Nuvens
Um dia foi me dada pela vida a oportunidade de chegar bem perto das nuvens e então pensei: hoje vou toca-las. Fui preparada, com muita esperança de conseguir. Caminhei durante toda noite, pois a melhor hora para fazer isso são os primeiros minutos do dia.A subida não foi fácil, passei por muitas coisas e demorei pra chegar, mas consegui chegar e estava próxima, tão próxima que elas tocavam o meu corpo. Respirei nuvens, eram frias e cheiravam a agua. Então estiquei meus braços e abri minhas mãos as nuvens passavam entre meus dedos... Estava tão feliz... os pássaros voavam sob meus pés e então com as mãos em concha consegui segurar o máximo de nuvens que minhas mãos podiam. Meu coração batia muito forte, minha respiração era ofegante, como a de quem ganha o melhor presente ou tem um gozo pleno, mas o Sol nascia forte e como que por encanto as nuvens começaram a sumir, eu tentava em vão segura-las mais elas foram sumindo, sumindo e em segundos desapareceram completamente.Sentei em uma pedra e chorei, mas depois pensei foi tão lindo, eu consegui chegar a tocar nas nuvens, enxuguei minhas lágrimas e segui feliz.
Vampira Dea 


Último cap. na próxima publicação 

domingo, 11 de dezembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA V PARTE: A PRIMEIRA VEZ

Os dias seguiam em pequenas compras, passeios a sítios arqueológicos, a festa Inti, desfiles cívicos... e o dinheiro acabando, quando dei por mim não tinha quase nada e ainda faltavam oito dias, respirei fundo e pensei F. mas já não tinha jeito a dar, eu com minha cara de pau observando os comerciantes na feira percebi que bastava dizer que não conhecia alguma coisa e eles davam para experimentar, então assim foi o meu café da manhã por alguns dias até que acabaram os vendedores rsrrs.
Voltei algumas vezes ao vale da Lua e em uma dessas idas, quando estava voltado, já quase escurecendo vi um rapaz com um cavalo branco enorme, bem cuidado lindo. Sou louca por animais e não resisti fui ver o bicho de perto, já puxando conversa, o rapaz me disse que fazia passeios procurei logo saber como, quando, onde e  o mais importante: Quanto. ele falou o preço que para mim naquele momento era muito: 50 solis. Nem pensei duas vezes combinei a saída as  seis da manhã e mais três colegas iriam comigo.
Nesse meio tempo esqueci de falar que nas minha idas a feira resolvi comprar ingredientes para o café e cobrava  de meus colegas 5 solis por cada porção , o dobro do que gastava e que também estávamos pegando tecidos de uma loja de reforma de sofá e transformando em marionetes para vender, só que pra economizar já que não queríamos gastar nem com a linha e desfiávamos o pano pra costurar, só fazíamos Sacis. Todos que viam comprar ( não sei de onde tiravam a ideia) pensavam que na Amazônia existia uma tribo de pessoas negras de um pé só.
Na hora combinada o rapaz apareceu para nos buscar: Eu Hirton, Gustavo e Mario, Rubenval e Manú decidiram ficar. Eu tinha preparado o café: maiz, yuca, café e leite e a conta tava certa , Gustavo por uma educação que surgiu naquela hora rsrsr ofereceu para que o rapaz se service, eu fazia o sinal e ele nem entendeu, o rapaz comeu foi tudo e eu sai para o passeio sabendo que na volta iria ouvir.
Quando chegamos no local montamos os cavalos e eu estava contrariada por não montar no cavalo branco do dia anterior, mas logo passou e curti muito o passeio até que começamos a passar por alguns sítios arqueológicos, estradas, sítios de criação de llamas, um rio. Num momento o cachecol de Gustavo voou e o meu cavalo se assustou empinando, precisou o dono segurar. Tomei o susto, mas consegui ficar. O caminho foi mudando e quando percebemos estavamos em uma montanha e de lá víamos a festa Inti no Vale do Sol. Descemos a montanha por um caminho muito estreito que se desfazia sob os cascos, perguntei se aqueles cavalos eram bodes e Hirton me falou: Menina você nasceu em cima de um cavalo? E eu respondi essa é a minha primeira vez. E foi o passeio mais lindo de toda minha vida, paisagens , o ar o sol, tudo estava perfeito. Ficávamos a maior parte do tempo em silêncio,sentindo.
Descemos depois de horas no lombo e eu fui comer um ovinho frito, isso mesmo, fritado em uma fogueirinha no chão, tinha também aqueles roedores assados. Me acomodei feito uma cabrita nas pedras pra assistir a festa, coisa pra turista , não me interessei e desci as ladeiras que já estava tão acostumada, andava pelo centro de olhos fechados. Vi uma família de mendigos no caminho e me sentei a conversar, depois de comprar uns pedaços de melancia para comer com eles. Me falaram que plantavam milho, tiveram que abandonar as terras. Era pai, mãe e dois filhos de campezinnos, tinham parentes desaparecidos, a vida não estava fácil, brinquei com as crianças, coisa que não é muito natural em mim e terminei de descer a ladeira lembrando da mulher que vi em  Lima: Eram dez da noite e uma mulher com cinco filhos, com poucas roupas para tanto frio e com certeza muita fome, cantava com a voz que eu jamais havia visto e nunca mais ouvi nada parecido. Ela cantava um lamento que virou meu texto no espetáculo Yaba, tentei cantar como ela nunca consegui: DE-ME PER FAVOR AYUDA PARA LECHE DE MI BEBITO YO NO TENGO NADA, DE-ME POR FAVOR...
Chorei naquela noite, chorei naquele dia.
Não digitalizei as fotos desse dia até hoje...

sábado, 26 de novembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA IV PARTE: CUZCO

Embarcamos para Cuzco  com um aviso : cuidado com o sorost (mal estar por conta da altitude). Não demos a mínima e a viagem seguia tranquila, até que tivemos que trocar de ônibus pq as estradas não suportaria um veiculo tão grande. Apertados e eu já com uma garrafinha de chá de coca que uma velha senhora me indicou para não passar mal, na mochila.
A montanha russa começou: Víamos, rios como pequenas veias, a estrada desfazendo em pedrinhas que rolavam ribanceira abaixo, Rubenval meu colega de grupo suava frio e pedia por Deus e a gente ria, pra não chorar de vergonha, pra que me apavorar se ainda faltava quase um dia de viagem?
A noite paramos para jantar e comemos... Falta grande, assim que o buzú retomou sua subida, o sorost veio com carga total, todos passaram mal e eu depois de acudir todo mundo, desmaie e só acordei com o sol na cara.
Paramos e no meio do nada tinha um banheiro que aproveitei pra escovar os dentes, demorei demais e quando saí o buzú já tinha ido, saí correndo com a boca espumando e gritando até parar. Continuamos a viagem e depois de 27 horas assistindo o Rei Leão chegamos.
Fomos logo procurando um hotel barato, pra não gastar muito optamos por um que tinha um hall muito bonito com teto de vidro. Explicamos a situação e não sei o que os meninos acertaram pois a atendente deu um sorrisinho bem malicioso pra mim e minha colega Manú. Conseguimos um quarto horrível com três camas de casal, sem chuveiro de água quente, mas ficamos assim mesmo. Tomei um banho frio (quase morri) pois estava fazendo uns 6 graus e fomos explorar a cidade. Tomei um verdadeiro baque. Quantos cheiros, quantas cores, tudo fervilhava era época da festa Inti, fiquei encantada com os campesinos que desfilavam suas roupas danças e tradições com orgulho. A arquitetura maravilhosa, igrejas belissimas, a Plaza Del Armas, magnifica!.
Encontramos um senhor, dono de uma empresa de turismo e puxando assunto ele disse que fazia passeios para o Vale da Lua a noite, um passeio místico. Eu, Hirton e Gustavo acertamos tudo e marcamos a hora e fomos comunicar aos outros. Encontramos todos num ferve mosca ( nossa denominação pra restaurante não muito apresentável e de comida duvidosa) com uma Cusquenha gigante e um sorriso de felicidade que se transformou numa careta horrenda pra descer aquela cerva quente. Uns protestaram e nem ligamos , mas como era de noite queríamos que todos fossem para ser mais seguro.
Fomos a feira comprar os ingredientes da mandiga: Água Florida , rosas brancas e uma garrafa de vinho. Chegou a noite e nos encontramos no lugar marcado, subimos em uma vam e fomos ao Vale da Lua. Chegamos então em uma caverna com um buraco no teto e uma mesa esculpida na pedra, acho que pra sacrifícios  Rezamos com o índio que mascava coca todo o tempo, e depois houve uns cantos, um vento da zorra, um frio de lascar e menos 60 dólares e o tal do xamã ainda encheu a boca de agua florida e cuspiu na minha cara, dentro do ritual. Retados e com medo da coisa ser pior, fomos embora tentando lembrar uns golpes de capoeira se necessário e eu ia segurando na barra do casaco dos meninos com medo que saissem de perto de mim. Fomos jantar num ferve mosca e depois dormir. Chegando no hotel, combinamos que no outro dia alugariamos uma tv para ver os jogos porque nem isso a espelunca tinha, só pagando extra. Tentei dormir mas uns gemidos muito altos e estranhos me apavoraram durante toda a noite...

Continua...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA III PARTE: LIMA

 
 Dia lindo de ida ao museu Larco e eu me encantei com as tapeçarias, as cerâmicas e principalmente com as múmias, o museu tem um acervo maravilhoso e o que não falta é história e qual não foi a minha surpresa em ver que o museu dedica uma sessão ao Yuyachkani tamanha importância desse grupo para o país, na saída fomos comer uma galinha com ahí deliciosa e visitamos mercados para ver o artesanato que é de uma riqueza impar e muito barato, conhecemos um professor de inglês brasileiro que vivia lá e a cada frase emendava com um palavrão.
Ficava boba de ver o céu tão cinza, frio e sem chuva muito seco,comprei luvas, comprei cachecol e me maldizia por não ter trazido meu sobretudo xadrez a La Sherlok Holmes e ainda por cima ter trazido tão pouca roupa. Na verdade eu queria praticidade,e uma mochila leve e agora pagava o meu preço. Então tivemos a ideia maluca de todos os dias trocarmos os casacos, era engraçado no dia que eu saía de camuflado rsrsr.
Em nossas caminhadas observávamos muito  as pessoas e eu tentava ao máximo um distanciamento. Alguns campezinos vendiam bugigangas nas ruas e se notava uns olhares tristes... Não pareciam ter orgulho da forma como se vestiam, falavam e muito menos de como  viviam. Mas essa visão dos campezinos se transformou quando cheguei a Cuzco.
Os campezinos desse país as maiores vitimas e a maior resistência, anos de desaparecimentos, eu uma turista, queria ir a museus e a  Cuzco comprar artezanias, comer gostoso, me divertir e descansar. E assim fiz, estava tendo uma overdose de cultura e arte, conheci o que pude da cidade e no meio disso tudo numa bela manhã descobrimos que Arequipa cidade de nossa rota tinha sofrido um atentado a bomba, e a situação estava muito caótica, então tivemos que mudar o nosso caminho tornando-o mais longo e caro.
Mas seguimos nos divertido conhecendo pessoas alegres, uma cidade cheia de encanto, um povo hospitaleiro  Um dia subi no morro de São Cristovão e quase morri de medo, ribanceiras e mais ribanceiras assustadoras, Fomos a Barranco, bairro das noitadas muito bonito e conhecemos o grupo La Cuatro Tablas de renome em Lima e visitamos também o La Torumba escola de circo que me encantou pelo trabalho lindo com crianças.
Depois de quase uma semana nos despedimos dos novos amigos  e embarcamos para nosso objetivo maior: Cuzco.
 Não teve jeito pra que eu gostasse dessa coisa aí rsrsr
 
Já o pisco e a tchicha morada amei!

Cheviche comi até não aguentar mais rsrsr

Os Músicos Ambulantes (Adaptação da obra de Chico) com meus queridíssimos Yuas Tereza, Ana, Devora e Augusto ( querido passarito), Julian e Amiel e direção de Miguel Rubio
Cenas lindas e chocantes da história do Perú.Vale a pena ver o depoimento desses artistas.

Continua...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA II PARTE: LIMA


Foto 9 anos depois, no meu terceiro encontro com o grupo Yuyachkani

Eu tinha voltado há pouco da Dinamarca, país aonde tudo é tão perfeito que enjoa e eu enjoei mesmo. Quando Cheguei em Lima a primeira impressão não foi boa porque estava um oposto absurdo: um céu cinza de nuvens do tempo e de poluição, um cheiro forte de peixe, transito caótico. Pegamos o bendito transporte que nos cobrou 20 vezes mais caro e chegamos em Madalena Del Mar, na casa da amiga de Hirton. Ela nos recebeu meio desconfiada e dias depois nos confessou que morreu de medo quando viu aquele bando de homens e aquelas duas mulheres, todos tão altivos, fortes e orgulhosos chegando, ela que não recordo o nome, nos achou muito estranhos, o que logo se transformou numa grande empatia. Já tínhamos o contato de um historiador que iria nos dar alguns dados,dicas e nos encontrou no primeiro dia mesmo para conversar.
Ficamos sabendo através dele sobre o grupo Yuyachkani de teatro e toda sua história artística e politica, também marcamos uma visita com ele no museu de história natural. Nesse meio tempo fomos ao consulado, coisa que fazemos sempre que chegamos a algum país. Nos receberam bem ,aproveitamos pra pedir um apoio para a pesquisa e eles nos conseguiram as entradas para Machu Pichu, museus, e as passagens de ida e volta no trem que é exclusivo para os peruanos a caminho de Aguas Calientes.
Seguimos então desbravando timidamente o bairro, vendo as cores, as pessoas. Tudo muito pitoresco, cachorros passavam vestidos nas ruas com camisas da seleção brasileira 10 Ronaldo, era copa do mundo e os peruanos torciam fervorosamente pelo Brasil, alguém reconhecia que eramos brasileiros e logo puxavam conversa sobre a seleção. Fomos a um centro comercial que tinha vários barzinhos e comemos papas rellenas por 5 solis. Uma velhinha tão simpática nos servia, um grupo de músicos veio cantar e tocar a mesa, demos alguns solis a eles o que se converteu em arrependimento depois, porque bastava ver a gente chegar e lá vinham eles com o mesmo repertório, depois de sete dias eu não aguentava mais e a velhinha simpática nos vendeu os bolinhos 10 vezes o preço que vendia pros outros. Isso tudo no primeiro dia.
Quando voltamos  resolvemos ver o que tínhamos trazido  e todos traziam sopa e barrinhas de cerais assim como eu, despejamos fazendo uma montanha,com exceção de Manú que teve a ousadia de trazer uma linguiça e um pedaço de carne de sertão, rimos muito do que pensávamos ser naquele momento uma tabaroince, parecia acampamento na praia, mas que mais a frente seria a nossa salvação. Saímos para comprar feijão e improvisar uma feijoada. Meu Deus quantos tipos de batatas, dois mil! Quantos tipos de milho,55! Quantos tipos de feijão! Dormimos nesse dia, cheios de planos, cada um com um foco, uns em busca de história, outros de arte, outros a aventura e o meu era experimentar pela primeira vez a liberdade. Todos conseguiram alcançar o que buscavam.

 

No outro dia fomos visitar o grupo Yuyaskchani em sua linda casa vermelha. A maioria estava em turnê mas os que estavam nos receberam bem, mostraram suas máscaras, o teatro, alguns videos, contaram sua história e luta e nos convidaram para ver alguns espetáculos.
Nesse mesmo dia fomos ao centro e vimos que alguma coisa pairava no ar, meu sexto sentido me dizia que as coisas não iam bem... sentamos nas escadarias na Praça das Armas e de repente vi o que só conhecia da tv , policiais com seus escudos e armas, manifestantes com suas pedras  e coquetel  molotov. Continuei sentada assistindo como a um filme, ou uma representação de camarote. Pensava que aquilo não me pertencia, tamanho o meu distanciamento que sentia, aquele problema não era meu e estava com aquela sensação de sem noção de perigo que alcançamos quando viajamos.
O país estava recém saído de uma ditadura sangrenta de  dez anos o fugimorismo e ainda tinha o Sendero Luminoso que a principio lutavam por uma boa causa o que se transformou depois basicamente em luta pelo narcotráfico.O povo sofria com a inflação, e o desaparecimento de 13 mil pessoas.O país estava sofrido, rebaixado, crianças aos montes mendigavam sujas e pediam para comprar suas balas, numa ladainha sem fim: "Compre Senhorita, compre" Ainda tinham medo, se percebia o medo no rosto das pessoas.
Mas aconteceriam coisas lindas e o povo, o país estava cheio dessas maravilhas para descortinar aos nossos olhos
A noite assistimos Antigona
Continua...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA


De todas viagens interessantes e divertidas que já fiz, nenhuma se compara a viagem que fiz ao Peru e Bolívia em 2002, mesmo já tendo voltado outras vezes, nada se comparou a primeira. Convido vocês a viajarem comigo nessas recordações que dividirei em alguns capítulos pois a história é grande.

I Parte
Ano 2002, eu tinha 30 anos, uma família com tudo que se tem direito: marido, filhos, bichos, alegrias, problemas. Também tinha um trabalho: atriz de teatro e arte educadora na época. Pra nossa surpresa o grupo no qual trabalhava ganhou o maior prêmio de teatro de Salvador, o BRASKEN (na época COPENE) como espetáculo revelação. Queríamos dar um destino bem interessante ao prêmio e resolvemos então fazer uma viagem para pesquisar um pouco da história do homem americano para montar o próximo espetáculo.Juntando com as Milhas que sobraram da viagem a Dinamarca um ano antes deu certinho.
Passamos semanas estudando mapas, caminhos possíveis e compramos as passagens, brigamos com os familiares e fomos. Éramos um grupo estranho, quatro homens e duas mulheres, todos casados e largamos tudo pra embarcar nesse sonho. Eu depois de chorar muito, e ouvir um vá mas não volte, abracei meus dois filhos ainda pequenos e eles me disseram: Vá você precisa ir e me ajudaram a arrumar a mochila que tinha quase nada de vestir e estava entupida de sopa pronta e barrinhas de cereais. Não sei o que passava eu só sabia que desejava ir com todas as minhas forças.
A ideia era ir a Lima, Cusco, Machu Pichu, Puno no Peru, La Paz e  Cochiabamba na Bolívia. Programamos tudo certinho e em Lima iriamos ficar na casa de uma amiga de um dos rapazes em Madalena Del Mar . Viagem tranquila, cansativa até Lima, mas já do aeroporto nos passaram a perna e cobraram dez dólares de cada quando o valor real era de um sol, mas isso foi nada, muita coisa ainda estava por vir, aventuras , perigos, alegrias, superação,amizades, o fim de uma ditadura sangrenta, frio, gente, gente e eu sentia que esta seria a viagem da minha vida desde que pus os pés naquela terra que iria me marcar para sempre ...
Continua...
Esta musica traduz muito o momento

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ESQUECENDO O MEDO

Hoje estava lembrando de como o medo atrapalha a gente e como eu tenho a capacidade de esquecer o medo, tenho medo de altura, é um medo que me dá vontade de me jogar, mas quase sempre esqueço do quanto esse medo me paralisa e sempre estou no alto rsr, vulcões, montanhas, prédios altos, janela do avião, como boa morcega não deveria ter medo de altura já que sei voar.
Escrevi esse texto e postei no blog o ano passado, quando estava no Peru e resolvi ir e convenci meus amigos a subir no Cruzeiro na cidade de Lima. A  principio eu não lembrava o quanto era pavorosa a subida ( a pior que já fui ) pois já tinha subido alguns anos antes e tinha ficado apavorada, passei um medo danado, mas quando vi o medo deles me diverti horrores. A gravação que aparece no final é de Tiago Martinez dono do Ogiva Goitacá, a gravação não tá muito legal porque foi feita com celular, mostra nossos bastidores e alguns passeios pela cidade, mas notem no áudio o desespero deles no começo e no fim que é justamente durante a subida e como eles me agradecem  no final rsrsrs e olha que do vídeo nem dá pra ter idéia da situação real.
Despenhadeiro
Abro e fecho meus olhos muitas vezes,pisco sem parar como que para ter a certeza do que vejo, sinto os cheiros, o vento. Daqui de cima do Cruzeiro de S. Cristóvão o vento me chega diferente, é um mar de luzes, serpentes vivas de fogo que saem da terra. São luzes, pessoas. Não sei como tive coragem de subir aqui de novo,o nome do percurso dado por um amigo meu foi Jesus está chamando, porque o carro passa a centímetros de cair do despenhadeiro enquanto vemos casinhas coloridas que parecem feitas de caixas de fósforos e o guia ironicamente insiste em mostrar o cemitério que alguns fazem de conta não ter percebido. Mas quando se chega tudo vale a pena, vejo toda a cidade até o mar, seus engarrafamentos, luzes, prédios. Vejo um incêndio, o fogo lambe o céu, imagino o desespero e penso no meu próprio porque ainda tenho que descer, sendo que só subi porque esqueci como era a subida... Coisas me voltam a mente, frescas como foi quando estive aqui da primeira vez... E choro pois o tempo passa, tudo passa e também fico feliz que tudo passa. Da primeira vez subi de noite desci de dia, hoje subi de dia e desci â noite...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

LABORATÓRIO YUYACHKANI










































Avistando montes nevados e o Lago Titicaca que um dia tive o prazer de contornar por terra, do alto, meu coração palpitava pela grande emoção que estava sentindo: Participar de um Laboratório de teatro com o grupo Yuyachkani no Perú, país que amo, com um grupo de tanta importância na América Latina. Obrigado a todos que compartilharam a experiência, obrigada Yuyas, Obrigada Oco Teatro que agora entra na reta final para o Filte, com a presença de muitos grupos de peso inclusive o yuyachkani.
Para ver as fotos clique

domingo, 25 de outubro de 2009

TOCANDO NUVENS

Um dia foi me dada pela vida a oportunidade de chegar bem perto das nuvens e então pensei: hoje vou toca-las. Fui preparada, com muita esperança de conseguir. Caminhei durante toda noite, pois a melhor hora para fazer isso são os primeiros minutos do dia.A subida não foi fácil, passei por muitas coisas e demorei pra chegar, mas consegui chegar e estava próxima, tão próxima que elas tocavam o meu corpo. Respirei nuvens, eram frias e cheiravam a agua. Então estiquei meus braços e abri minhas mãos as nuvens passavam entre meus dedos... Estava tão feliz... os pássaros voavam sob meus pés e então com as mãos em concha consegui segurar o máximo de nuvens que minhas mãos podiam. Meu coração batia muito forte, minha respiração era ofegante, como a de quem ganha o melhor presente ou tem um gozo pleno, mas o Sol nascia forte e como que por encanto as nuvens começaram a sumir, eu tentava em vão segura-las mais elas foram sumindo, sumindo e em segundos desapareceram completamente.Sentei em uma pedra e chorei, mas depois pensei foi tão lindo, eu consegui chegar a tocar nas nuvens, enxuguei minhas lágrimas e segui feliz.
Então a vida me deu uma segunda oportunidade de tocar as nuvens, em um outro lugar, outro momento, uma subida diferente, Dessa vez eu toquei... Não preciso leva-las comigo eu sei que toquei,basta.Assim também é o amor.
Então agora quero ir para lua hehe....

segunda-feira, 6 de abril de 2009

LIMA POR VAMPIRA DEA, PARTE III :CHICHA,PISCO,CUZQUENHA E INCA COLA







Fiz alguns alegres brindes com Pisco bebida de uva muito forte. No primeiro brinde feito no primeiro dia na linda, grande e velha Casa Yuyaschkani foi feito o Pisco sour, bebida com limão, gelo e claras simplismente maravilhoso!! ( lembra a nossa caipirinha) e no último dia Pisco puro forte como nada que eu já tenha experimentado ( e olha que sou fã de cachaça e tequila). Recordei a Cuzquenha cerveja um pouco mais forte e amarga, a refrecante Chicha bebida feita de milho escuro desde o tempo dos Incas e bebi o terrivel Inca cola ninguém merece, horrivel refrigerante não sei de quê parece xixi de llama, mas o legal é experimentar sempre e brindar sempre!

sábado, 4 de abril de 2009

LIMA POR VAMPIRA DEA PARTE II: MUSEU DA INQUISIÇÃO

MUSEU DA INQUISIÇÃO EM LIMA
INQUISIDORES
TORTURAS







Em Lima não pude deixar de visitar o museu da Inquisição, como vocês sabem o espetáculo Branca encenado pelo Oco Teatro Laboratório fala sobre isso. Impressionante como o poder não tolera as diferenças e como se usou e usa-se até hoje o nome de Deus para praticar barbáries. Ele tem cenários com manequins nas posições de tortura, documentos e algumas celas originais no subsolo que visitei sentido muita angustia... As torturas podiam ser: Ter os membros amarrados por cordas que eram esticados, ser pendurado pelos braços, ser obrigado a beber litros de agua deitado e com o nariz tapado, ser chicoteado, ter os pés ou os braços presos a uma estaca de madeira e por aí vai, a criatividade para essa prática macabra parecia inesgotável e um médico acompanhava a tortura para que nem uma gota de sangue fosse derrubada, enquanto um padre enchia o saco para que o réu confessasse qualquer besteira absurda. Para mim um rápido e triste laboratório.
Isso tudo serve pra que os erros não se repitam...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

LIMA POR DEA VAMPIRA PARTE I: MONUMENTOS, CULINÁRIA E FESTA

Morro de S. Cristovão

Congresso de Lima

Lima cinzenta e colorida ao mesmo tempo.Cinzenta porque nunca chove e por ser poluida assim como S. Paulo. Colorida por suas praças muito floridas(que não são poucas) e por seu povo, que parece ser o mais sorridente do mundo. O centro com seus prédios imponentes e históricos, suas igrejas. A culinária riquissima que tem por base a batata, o milho e o peixe. Adorei comer ceviche um prato típico de Lima que é feito de peixe cru e muito limão. Subi o morro de S. Cristovão, foi pra compensar o fato de não ter ido a Cuzco e Machu Pichu dessa vez, mais eu sei que volto. O dia do teatro foi feliz caminhando em Madalena Del Mar e apresentação um sucesso! Foi na Casa Yuyachkani, 350 pessoas viram, quase 200 voltaram, fui ao Latarumba conhecer + artistas, reencontrei amigos, foi lindo. Em breve mais fotos.Temas: Museu da Inquisição e Praças.