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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

NÃO AO CONTINGENCIAMENTO DE PROJETOS ARTÍSTICOS NA BAHIA

Tendo em vista o recente contingenciamento (bloqueio) de verbas para cultura, e seguindo os encaminhamentos da ultima reunião acontecida no dia 18/09 no Xisto, está prevista para Sábado (dia 21) às 18:00, uma manifestação artística em frente ao TCA. Esta lista é uma maneira de estarmos mobilizados para fazer deste ATO uma grande manifestação em repudio ao ESTADO e para mostrarmos a força da classe artística ante aos últimos acontecimentos. Esperamos contar com a presença física de cada um de vcs e suas respectivas criatividades em favor de algo maior e coletivo. Lembrem-se cada um de vcs é um multiplicador(a)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

SEM ARMAS

Quando estava voltando, cansada de tanta luta, cansada de tentar entender, sem armas, querendo não querer, meus ossos doíam e eu sentia o peso dos anos e de tudo que já tinha feito, uma fome tomava conta de mim. Você tinha me prometido um dia que eu não sentiria mais dor,que não sangraria mais, que nada mais importaria, viveria etérea na noite e na escuridão sem me preocupar com nada, começava a acontecer. Só agora entendi que você não tinha feito nada, começava a me recordar do que fiz, nos sete continentes que passei deixando o meu rastro. Eu pedi por isso e agora as consequências, sim chegavam para me cobrar. Tinha um rastro atrás de mim que não daria pra apagar mesmo eu ainda tendo quase a eternidade. É esse era o preço, perder a todos que amo, ver tudo passar, todos passarem, as mudanças mal acompanhadas, a falta do sol, eu mais uma no exercito, dos que não vivem, mas ainda tenho quase uma eternidade para me recuperar...

Vampira

terça-feira, 27 de novembro de 2012

CIDADE DO ESCURO


Mais uma cidade inspirada nas Cidades Invisiveis de Italo Calvino
Existe uma cidade na qual nada é bonito, na verdade ninguém sabe o que é bonito ao certo pois tudo é visto em brumas, tudo está coberto de escuridão. Esta cidade foi construída dentro de uma caverna e as pessoas não sabem que existe uma cidade de luzes muito próxima a eles.
Eles têm olhos muito grandes adaptados a ver o máximo do escuro, suas peles são brancas e suas veias podem ser vistas, se percebe até o caminho do sangue, se pudessem ser vistos a luz, suas unhas são como garras estão sempre cavando, se alimentam de vermes, insetos e restos. É como se fossem esquecidos presos nesse lugar, no entanto estão livres, só não conseguem encarar a luz, têm medo, muito medo, foram ensinados há muitas gerações que a luz é o mal.
Não vestem roupas e seus corpos são deformados, adaptados a situação em que vivem. Não há cor, não há esperanças, quando gruem expressam tudo sem limites e com violência, a condição da limitação da palavra a falta de um conhecimento mais evoluído o fazem assim. Se precisam se matam por um resto qualquer e na mediocridade dessa subsistência passam a vida sem saber que existe um mundo de luzes e cores ao redor daquela sepultura coletiva de quase vivos.
Eles até que tentam criar um pouco de luz artificialmente mas essa luz só é o suficiente para subsistir, olhar um pouco os rostos monstruosos e seus corpos sofridos e deformados. Sentem pena deles mesmos, por essa condição mas poucos conseguem realmente criar coragem e enfrentar a luz. Conseguem fazer fogo e do fogo vem toda a luz que conhecem.
Cada criança que nasce não é fruto de amor nem bem querer, em geral nasce da irracionalidade e brutalidade. As mães choram quando vêem o seus ventres crescendo pois é a único esboço de amor que existe nesta cidade: o de mãe para com seus filhos.
Mas se não houvesse escuridão não haveria luz e por causa desta cidade escura nasceu uma oposta. O problema é que nada pode ser só luz e nada pode ser só escuridão. Estes seres vivem nessa escuridão e desconhecem que poderiam mudar o curso de suas vidas simplesmente encarando a luz que tanto temem: uma luz chamada verdade.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

PINTURA NO CHÃO


Fora contratado por muito menos do que valia o trabalho, sem carteira assinada , sem nada.Tinha acabado de chegar do interior cheio de sonhos, mulher e seis filhos.
Inventou que era artista, que sabia pintar, que era equilibrista, com certeza era pra ter vivido até ali. No seu primeiro dia de trabalho no palco que nunca tinha ensaiado, começou o seu show para ninguém, se equilibrou no pequeno espaço do décimo andar, onde o vento insistiu em mostrar sua força mesmo que não precisasse, se balançou preocupado em não perder o pincel e o balde de tinta cara com o qual tinha que colorir aquelas paredes sem fim. A arte não se divide mais ( na verdade nós é que insistimos em dividi-la porque ela sempre foi uma) dança, teatro, música, artes visuais se misturam, se dependem ( se é que posso escrever assim). O vento venceu e aos poucos ele voou  numa dança leve até encontrar o chão, cantando seu grito de fim,o texto estava traduzido nas ações, a tinta derramou em grande quantidade da grande lata colorindo em tons de azul céu misturando com o vermelho sangue formando uma grande instalação em pleno momento de movimento de vida daquela rua, cenário, uma pintura abstrata, materiais diversos, minerais, orgânicos e o ar, poucos pararam para ver a arte que o acaso montou  com diferentes materiais mostrando o quanto pode ser criativo.

Imagens: http://capu.pl/node/271 quem souber mais sobre este artista por favor me passe as informações trabalho maravilhoso!

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sábado, 13 de outubro de 2012

EM CIMA DO MURO


Ficar em cima do muro, tomou a atitude como filosofia. Não decidia nada, talvez, quem sabe, pode ser eram suas mais rotineiras formas de responder sobre tudo e a todos.Não discutia politica, religião, futebol. relacionamento. Dizia que fazia isso porque odiava brigas, discussões, réplicas. Preferia disseminar um pouco de dúvida, incerteza. Adiava decisões, se pudesse se manter a parte achava melhor. Foi assim desde criança. As pessoas queriam saber sua opinião, nem tanto por considerar suas idéias, mas queriam saber até quando sustentaria essa atitude. Seus relacionamentos eram vazios e rápidos, já que parecia a todos falta de personalidade. O que ela escondia era justamente o contrário, em seu intimo ela apreciava a guerra e construía armadilhas minuciosamente armadas com a delicadeza dos seus nãos sei, até o dia que entupida com suas opiniões, não sustentou o peso, tropeçou e caiu, batendo a cabeça em uma quina de gaveta, se encaixotando junto com seus conflitos.A verdade é que a  morte lhe visitou pra lhe perguntar algo e a essa ela não pode enrolar.


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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ando namorando os ensaios de minhas rugas e a saliência dos meus cabelos brancos que ainda não combinam com a minha personalidade, acho lindo isso tudo se estranhando , em alguns momentos não me reconheço Passo o dia e sou a mesma de sempre: sonhos e sonhos, sorrisos bobos, mas o tempo passou e por muitas vezes fico no espelho a me olhar, pensando tenho que me adaptar a essa nova capsula. Tenho saudades do tempo que esperava impaciente pelo Natal e ele nunca chegava porque um ano durava um ano, um mês eram trinta dias e um dia tinha vinte e quatro horas. Agora tudo é vertigem.   E poucas coisas e pessoas importam. Nesse caminho novo andei perdida, tentando me reencontrar, envelhecer nào deve ser tão ruim com alguém para amar.

domingo, 18 de março de 2012

ESTAMIRA

O que é a lucidez? O que é verdade? Certo, errado ou justo? Vendo o documentário Estamira do diretor Marcos Prado, senti uma dor de perceber que não sou tão lúcida como essa mulher, ao mesmo tempo agradecendo por não ser , pois talvez não viveria...
Site oficial: Estamira
E colocando no Youtube pode-se ver por partes.
Vampira Dea

domingo, 25 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL, Above and Below (Stefan Werc)

Depois de passar hoje no Ócio Agudo e ver o curta do premiado Above and Below de Stefan Werc, fiquei pensando na vida mais uma vez e me fiz aquelas perguntas que golpeiam nesta época do ano, mais do que nunca, quando simbolicamente e empurrada pela mídia fazemos um balanço. Sua vida anda mal? E se você vivesse entre os mortos?
Feliz Natal

domingo, 24 de julho de 2011

NUA

E não prestei muito atenção, não vi em qual momento. Os fios começaram a cair, um dia um pouco, outro dia um pouco mais, achei engraçado, depois fui ficando um pouquinho preocupada. Em quinze dias só tinha a metade de meus cabelos lindos que ornavam minha cabeça. Fios espaçados e os poucos que ainda restavam continuavam a cair. É nervoso, é chilique, é falta, é demasia. Agora sinto uma vontade enorme de arrancar o que me resta. com as próprias mãos. Me ardem fios que restam, o pensamento. Ainda parece que não acredito o que está acontecendo comigo, sigo a vida, cantando, comendo, laborando, sorrindo, chorando, gritando. Será  o tempo? Será o som alto? Serão os hormônios? Caem aos tufos, aos montes. Já não me bastava cortar as asas? Me sinto nua, exposta.

sábado, 7 de maio de 2011

LENDA URBANA DAS CRIANÇAS SEQUESTRADAS PARA ROUBO DE ÓRGÃOS.

De tempos em tempos quando o medo e a violência ficam demasiadamente presentes, a imaginação e a realidade humana se fundem provocando um pânico através das lendas urbanas. Há três décadas que ouço falar e vejo o pânico de pais com a lenda urbana do carro negro que sequestra crianças, retiram os órgãos e depois abandonam os corpos. Dessa vez eles estão perseguindo na rua em plena luz do dia, inclusive arrancando filhos dos colos das mães.
Esta semana na pequena cidade de Lauro de Freitas, pais desesperados não encontram outro assunto que não seja este. Mataram um menino e jogaram o corpo sem os olhos e órgãos vitais com um bilhete no peito. Acharam outro num matagal. Tem sempre alguém que conhece alguém que viu o corpo ou a vitima, a polícia está agindo, professores realizam reuniões, jornais sensacionalistas e programas de tv cuja função é expor as feridas do povo, tecem comentários contra os supostos bandido,teorias são construídas,o mito de João e Maria nos dias de hoje, se trata de um caso de roubo de órgãos para implantes ou magia negra?
Sinceramente acredito que possa ter ocorrido um crime e daí se partem para estas conclusões. Do jeito como tudo é, rapidamente. É sempre um grupo, o carro é sempre preto e os órgãos são destinados a pessoas ricas que podem pagar, não muda. Se fala até que serão vendidos no exterior.
Acredito que é da repetida e batida lenda urbana que falam, a mesma de sempre, que aterroriza crianças e pais há bastante tempo. Que se multiplica e prolifera diante do medo e violência real e concreta da nossa atualidade. É como uma tentativa de explicação espetacular do que acontece com crianças. Crianças são abusadas sexualmente, espancadas, abandonadas e quem faz isso geralmente não anda por aí passeando de carro preto.
E vc conhece alguma?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

BIN LADEN MORREU MESMO?


Osama Bin Laden morreu. Acordamos na madrugada com essa noticia assim do nada. A morte foi consequência de uma ação de inteligência do Exército americano em parceria com o Paquistão que localizou o terrorista durante a semana passada. Neste domingo em uma ação de um pequeno número de soldados, locarizaram e mataram o lider terrorista responsavel pela morte de quase 3.000 pessoas em um atentado mais que conhecido em 2001.Muita festa e pessoas fazendo piadas, ok cadê o corpo?
Adoro teoria da conspiração então isso tudo pra mim é um prato feito.  Estou a pensar em várias suposições para o acontecimento e suas consequências.
Penso que a popularidade de Obama andava baixa e fizeram essa grande jogada da morte de Osama. Osama um homem de 55 anos, diziam que estava doente, fazendo hemodiálise e que já não vivia nas cavernas, mas sim em uma casa de muros altos. Desconfiaram da movimentação e encontraram o terrorista, matando-o com um tiro na cabeça. O corpo foi jogado no mar, porque sua religião exige que o corpo seja enterrado com menos de 24 horas. Respeitaram o desejo de um terrorista? Cadê o corpo? Sem corpo não há morto. A foto parece uma montagem bem fajuta e não convence.
Nos Estados Unidos uma grande festa, mas até quando? Ainda que não comandasse mais os ataques terroristas ele era um símbolo, um chefe a seguir e agora? Terroristas brigando pelo poder. Norte americanos agora com certeza correm tanto ou mais perigo que antes, deveriam sim se resguardar. 
O mundo em vez de rir deveria tremer e o vestido da princesa realmente estava lindo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CONCERTA MINHAS ASAS...


Um dia de repente me vi com os pés no chão, não havia mais o etéreo no qual sempre vivi e estava acostumada. Não existia aquela coisa fofa, doce e aconchegante a minha volta, a escuridão que eu amava, os sons que chegavam filtrados, amaciados. Sentia que me queriam eu acreditei. Me deixei levar por palavras, queriam me mostrar a luz e eu vim, Agora estou aqui de asas quebradas e não vendo muita graça nessa luz que me aquece demais e me ofusca a visão. Os sons me doem e não existem mais a escuridão que eu me acalentava. Tudo que eu achava ou acho certo ( não sei, estou ainda muito confusa) não se encaixa aqui. e eu  aqui sou como uma aberração, fingindo ser o que não sou para sobreviver, não posso assumir a condição que preciso para viver e vendo aos meus olhos pessoas que se dizem puras e boas cometerem coisas absurdas sem o menor respeito ao próximo. De onde venho respeitamos o nosso alimento ele é sagrado, respeitamos o direito de ser diferente, de pensar diferente, me desespero por não poder fazer nada. Concerta minhas asas, quero voltar.
Leia também: Quando Lagartas viram borboletas

quinta-feira, 18 de março de 2010

ELA AINDA SONHA

Uma mulher, nem velha nem nova, nem bonita, nem feia, simplesmente uma mulher, simplesmente uma pessoa, estava sonhando, é ela vivia sonhando.
Ela sonhava tanto que seu tempo não passava. Entre seus muitos sonhos voltava a sua infância, lembrava de quando brincava na beira da praia e fazia castelos de areia tão perfeitos que davam vontade de morar neles e recordava como o seu sorriso era fácil.
Gostava de fazer bolas de sabão que levadas pelo vento refletia seus mais secretos desejos...
As vezes de olhos fechados sentia-se embalada como num balanço quando era mais forte, como numa velha cadeira de balanço quando mais tranquilo o embalo e então essas eram as noites, dias que quase era calmo e suportável viver.
Em algumas noites, em alguns dias (quase todos) tudo se transformava em pesadelos.Ela sentia nesses momentos sua vida como num grande lago negro no qual lhe puxavam para baixo.
Tudo lhe chegava embolado, distante, ouvia palavras soltas, ouvia música, um dia escutou John Lenon dizer que o sonho não acabou, sentia vontade de cantar também, cantar com ele mas por sua garganta escorregava coisas, que arranhavam o que já fora uma bela voz.
Frida Kalo
A todo momento sentia mãos no seu corpo, sentia agulhas a lhe espetar e no esforço de estar desperta só conseguia ver a escuridão.
.
Quando conseguia depois de lutar muito, por fim abrir seus olhos, respirava forte, olhava seu corpo, olhava a sua volta e se percebia amarrada a uma cama enferrujada. Sempre tentava dizer que não precisava nada daquilo, que o que ela tinha feito não se repetiria, que estava consciente, ninguém entendia, nessa noite viu mais uma vez a preparação de mais uma seringa, um hábito, um olhar com um leve sorriso da enfermeira, teve a certeza de que os loucos eram os outros que não sabiam sonhar.

Trabalho em andamento no Oco Teatro Laboratório de criação/contação/performance solicitado por Diana Ramos

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu sonho

Todos sonham, eu também sonho.
Sonhei com coisas pequenas
coisas fortes e amenas
desejei do fundo do meu coração
o concreto dos etéreos sonhos.
Pensei em uma paz colorida, cheirosa
piscina de gelatina
que nos tornava lentos de prazer
afinal os sonhos eram meus.
Sonhei com castelos
de areia, de biscoitos
e encontrei castelos de caveiras
que desabavam sobre mim
sonhei com caminhos de flores,
cheirosas sem espinhos
e no caminho vez por outra
algumas flores me mordiam
Nem por isso os sonhos acabavam
hora eram arco-íris, bolas de sabão,
sorvetes e beijos
Outras dor, impotência das mãos atadas
eu não choro mais por tudo
e perdi o medo de sorrir
continuo a sonhar meus sonhos
estou a rir de tudo e as vezes chorar por nada,
me pergunto será que a vida
é um eterno sonhar acordada?
Vampira Dea

terça-feira, 24 de novembro de 2009

VOLTEI PRA MIM

Esta noite tive um sonho daqueles...Sonhei que sonhava e em meu sonho tudo se realizava.Até rimou mas parecia tão real... dormia um sono solto e leve, desses sonos que dorme quem não deve. Eu aparecia do lado da minha cama e me observava, ouvia a minha respiração e contemplava o meu rosto, o meu corpo, e percebia que eu não me conhecia, senti então um enorme impulso de me ver mais de perto, olhei o meu rosto, é tão diferente do que estou acostumada a ver no espelho... minha pele ainda sem rugas, mais bem diferente do rosto que imagino ver no espelho. Meu corpo se enchia de ar e vida numa respiração sossegada e percebi o quanto meu corpo é forte e frágil ao mesmo tempo, não resisti e toquei o meu rosto,meu corpo protestou, foi estranho, desci minha mão até minha mão e percebi que parecem mãos cansadas, mãos de velha ,macias sim, mas parecem mais velhas que eu. Vi meus seios que movimentavam com a respiração, olhei para eles, acho que pela primeira vez na vida com carinho, seios que me deram prazer, que alimentaram meus filhos ,símbolo de ser mulher.
Fiz questão de tocar cada parte do meu corpo como se minhas mãos fossem olhos e percebi a importância de cada pedacinho meu, as minhas pernas a força de quem muito já caminhou e suportou muitos pesos, meus pés, meu sexo energia e prazer, meu umbigo, minha boca, meu corpo, minha morada, minha morada! Só então percebi o que acontecia de verdade! Minha alma estava solta e contemplava um corpo vazio! entrei em pânico, não sabia o que fazer, queria voltar para o corpo e não conseguia, então passado o primeiro momento me acalmei e resolvi: estou livre! Leve! vou caminhar pelo mundo. Fechei meus olhos e comecei a desejar e o meu desejo era um só, era encontrar, reencontrar pessoas, dizer coisas que nunca disse, fazer coisas que nunca fiz, com pessoas desse mundo e outras tantas que caminham em outros mundos agora.
Dizer que não esqueço, dizer o quanto são importantes, me divertir,recuperar quem sabe um tempo perdido,dizer o quanto as amo e por um instante os mundos se fizeram pequenos, eu quase vi a todos em uma grande roda de mãos dadas em que eu cheguei ao centro e comecei a girar, um giro louco de felicidade, mas de repente meu chão tremeu e eu comecei a cair em um abismo, fechei meus olhos de medo e quando abri vi meu corpo ofegante, suado, vermelho e percebi que corria perigo,não estava livre, meu corpo sofria, sentia minha falta.Voltei. Beijei minha boca, senti o meu gosto e aos poucos estava em mim... abri os olhos, estava tão cansada...chorei...Porque voltei.

domingo, 8 de novembro de 2009

SOMOS HUMANOS?!!!!

Ultimamente tenho recebido um mesmo email de amigos, conhecidos e desconhecidos sobre como os animais são tratados na China e para que todos os que vejam assinem um abaixo assinado contra. Eles criam e torturam diversas espécies de animais. Só com a descrição do que seria o vídeo eu nem quis ver.Animais que são esfolados vivos com a desculpa de uma melhor qualidade da pele. Pergunto: Esse abaixo assinado realmente tem algum efeito? Porque se realmente tem temos que assinar.

Há quem diga: É cultural.O ser humano na grande maioria das vezes mata os animais por simples prazer e somos todos culpados, quando não coniventes. Comemos mais por prazer que necessidade, vestimos e calçamos por simples consumismo e até os que se dizem vegetarianos tem seus bichinhos que comem ração e demanda: CARNE. Quando penso que a coisa tá lá na China de madrugada passa não sei em que canal (não suportei ver), ações parecidas aqui no Brasil,isso mesmo. Animais esfolados vivos, frangos abatidos com 45 dias (para isso bastante hormônio e antibióticos), gado criado sem espaço para movimentar e pelo mundo continua: A hstória dos golfinhos que de tantos que são mortos o mar de azul fica vermelho e os ursos morrendo com o degelo e volto pro Brasil: Bichos preguiças morrendo atropelados e mil coisas que já sabemos.

Todos os dias animais são abandonados nas ruas simplesmente porque enjoamos deles,todos os dias produzimos lixo desnecessário, todos os dias, deixamos de ser humanos e nos tornamos sei lá o que, até nossos irmãos viram lixo, nossas crianças nas ruas, outros países mulheres são castradas, apedrejadas, aqui nossos jovens morrendo, drogas consumindo cada dia mais pessoas, nosso trânsito em guerra, a fome, as guerras.

Muita gente fala, poucos fazem algo sobre isso, acredito que se já começarmos com pequenos atos: Não ir a circos que tenham animais, não comprar animais silvestres, reciclar o lixo, economizar agua e energia elétrica, não desperdiçar alimentos, não comprar objetos, roupas sem necessidade, usar transportes coletivos, procurar ajudar como puder a quem mais precisa, acreditem isso já muda um pouco, todo mundo sabe disso, o que falta é estar disposto a suar um pouquinho, mais e quanto a maldade e crueldade desses corações, o que fazemos? SOMOS TODOS CULPADOS. Desculpe é que hoje acordei cansada de ser humana...

!

sábado, 19 de setembro de 2009

REFLETINDO

Meia noite. Acabei de despertar vou ao banheiro e lavo meu rosto, não dou atenção ao vulto parado a minha frente a me olhar. Sempre ouvi dizer que não é bom olhar o espelho depois da meia noite.Enxugo meu rosto crio coragem e resolvo olhar pra imagem. Uma mulher de olhos castanhos e fundos me olha, eu tomo mais coragem e com um certo atrevimento encaro aqueles olhos. Algumas rugas surgem aqui e ali nesse rosto. Tento reconhecer, mas é dificil, não enxergo a menina, não enxergo a adolescente nem a jovem inocente. Ela então escancara a boca em um sorriso assustador mostrando seus dentes, dou um pulo para trás com o susto e ela simplesmente me diz: Durma! Conversaremos amanhã, estou sem paciência para você hoje.
Eu obedeci não queria vê-la zangada, pois ainda não a conheço direito e não sei do que ela é capaz...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

JOEL PETER WITIKIN, LOUCO OU GÊNIO?







Joel Peter Witikin, artista plástico e fotográfo Norte Americano é visto por muitos como louco e por outros como gênio. Sua arte amoral choca ao mesmo tempo que nos obriga a uma reflexão sobre a condição humana. Suas obras concistem em fotos trabalhadas com técnicas de envelhecimento e colagem, sendo que na grande maioria seus modelos são cadáveres, tranvestidos, anões,velhos.
Começou como fotográfo de guerra, e precisou anos mais tarde, para desenvolver seu trabalho viver no México, pois as leis dos Estados Unidos não permitia a utilização dos cadáveres. No México trabalhava no necrotério onde teve permissão para realizar suas obras.
Um trabalho totalmente contestador que costuma buscar o que é excluído na sociedade, tudo que é jogado para baixo do tapete. A arte consegue transformar tudo que é concreto, negado, feio, belo, fede, grita, assusta, singelo, colorido, sombrio na simples e complexa essência do que é o homem, tudo e nada.


Visualizar mais: Aqui

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

AS CIDADES E OS MORTOS (CONTINUAÇÃO)


Uma quitandeira pesava uma couve na balança e colocava-a dentro de uma cesta presa por um barbante que uma garota abaixava de um balcão. A garota era igual a uma da minha cidade que enlouquecera de amor e se suicidara.A quintandeira ergueu o rosto: era minha avó.
Pensei: "Chega um momento na vida em que, entre todas as pessooas que conhecemos, os mortos são mais numerosos que os vivos. E a mente se recusa a aceitar outras fisionomias, outras expressões em todas faces novas que encontra, imprime os velhos desenhos, para cada uma descobre a máscara que melhor se adapta.
Os descarregadores subiam as escadas em fila, curvos sob os barris e os garrafões revestidos de vime; os rostos estavam escondidos debaixo de capuzes de pano."Agora tiram os capuzes e eu os reconheço", pensava com impaciência e medo. Mas não despregava os olhos deles; por menos que eu voltasse a olhar para multidão que lotava aquelas vielas, via-me assediado por rostos imprevistos, vindos de longe, que me fixavam como se quisessem ser reconhecidos, como se quisessem me reconhecer, como se houvessem me reconhecido.Pode ser que eu também lhe recordasse alguém morto. Acabara de chegar a Adelma e já era um deles, passara para o lado deles, confuso naquele vacilar de olhos, rugas, de tregeitos.
Pensei:"Talvez Adelma seja a cidade a que se chega morrendo e na qual cada um reencontra as pessoas que conheceu. É sinal de que eu também estou morto".Também pensei:" É sinal de que o além não é feliz".

Trecho do livro Cidades invisivéis. Italo Calvino

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