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domingo, 18 de agosto de 2013

PORTAIS PARA MUNDOS LEGAIS


Quando criança vivia num verdadeiro mundo mágico. Não que minha vida fosse um mar de flores (apesar delas estarem sempre presentes), mas uma coisa que sempre soube foi transitar por esses mundos que os incrédulos afirmam ser simplesmente bobagem. Viajava sempre que me sentia triste pra um destino desses e aí podia ser o que quisesse. Todos me achavam bonita, inteligente, com uma voz maravilhosa. Não tinha medo de nada pois tinha a confiança de que tudo dependia de mim. Sempre estava confiante, tinha muitos amigos, conhecia e aprendia tudo o que precisava. Matemática não me assombrava, guerras também não, na verdade nada me assombrava.Os livros eram os portais desses mundos, começaram com a voz da minha mãe que lia todos os dias pra que eu dormisse, depois com as revistas em quadrinhos herdadas de meu tio Ado. Os livros maravilhosos da biblioteca de tia Cida, os livros que ganhava de meu pai e assim podia ir e voltar sempre que sentisse necessidade.Odiava jornais, eles eram os portais dos mundos que eu não queria estar, na maioria das vezes continham tudo que me amedrontava ou que eu não conseguia entender.
Hoje ainda viajo, mas as viagens estão cada vez mais curtas e cada vez mais estou nos mundos dos jornais...

Vampira Dea

sábado, 26 de novembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA IV PARTE: CUZCO

Embarcamos para Cuzco  com um aviso : cuidado com o sorost (mal estar por conta da altitude). Não demos a mínima e a viagem seguia tranquila, até que tivemos que trocar de ônibus pq as estradas não suportaria um veiculo tão grande. Apertados e eu já com uma garrafinha de chá de coca que uma velha senhora me indicou para não passar mal, na mochila.
A montanha russa começou: Víamos, rios como pequenas veias, a estrada desfazendo em pedrinhas que rolavam ribanceira abaixo, Rubenval meu colega de grupo suava frio e pedia por Deus e a gente ria, pra não chorar de vergonha, pra que me apavorar se ainda faltava quase um dia de viagem?
A noite paramos para jantar e comemos... Falta grande, assim que o buzú retomou sua subida, o sorost veio com carga total, todos passaram mal e eu depois de acudir todo mundo, desmaie e só acordei com o sol na cara.
Paramos e no meio do nada tinha um banheiro que aproveitei pra escovar os dentes, demorei demais e quando saí o buzú já tinha ido, saí correndo com a boca espumando e gritando até parar. Continuamos a viagem e depois de 27 horas assistindo o Rei Leão chegamos.
Fomos logo procurando um hotel barato, pra não gastar muito optamos por um que tinha um hall muito bonito com teto de vidro. Explicamos a situação e não sei o que os meninos acertaram pois a atendente deu um sorrisinho bem malicioso pra mim e minha colega Manú. Conseguimos um quarto horrível com três camas de casal, sem chuveiro de água quente, mas ficamos assim mesmo. Tomei um banho frio (quase morri) pois estava fazendo uns 6 graus e fomos explorar a cidade. Tomei um verdadeiro baque. Quantos cheiros, quantas cores, tudo fervilhava era época da festa Inti, fiquei encantada com os campesinos que desfilavam suas roupas danças e tradições com orgulho. A arquitetura maravilhosa, igrejas belissimas, a Plaza Del Armas, magnifica!.
Encontramos um senhor, dono de uma empresa de turismo e puxando assunto ele disse que fazia passeios para o Vale da Lua a noite, um passeio místico. Eu, Hirton e Gustavo acertamos tudo e marcamos a hora e fomos comunicar aos outros. Encontramos todos num ferve mosca ( nossa denominação pra restaurante não muito apresentável e de comida duvidosa) com uma Cusquenha gigante e um sorriso de felicidade que se transformou numa careta horrenda pra descer aquela cerva quente. Uns protestaram e nem ligamos , mas como era de noite queríamos que todos fossem para ser mais seguro.
Fomos a feira comprar os ingredientes da mandiga: Água Florida , rosas brancas e uma garrafa de vinho. Chegou a noite e nos encontramos no lugar marcado, subimos em uma vam e fomos ao Vale da Lua. Chegamos então em uma caverna com um buraco no teto e uma mesa esculpida na pedra, acho que pra sacrifícios  Rezamos com o índio que mascava coca todo o tempo, e depois houve uns cantos, um vento da zorra, um frio de lascar e menos 60 dólares e o tal do xamã ainda encheu a boca de agua florida e cuspiu na minha cara, dentro do ritual. Retados e com medo da coisa ser pior, fomos embora tentando lembrar uns golpes de capoeira se necessário e eu ia segurando na barra do casaco dos meninos com medo que saissem de perto de mim. Fomos jantar num ferve mosca e depois dormir. Chegando no hotel, combinamos que no outro dia alugariamos uma tv para ver os jogos porque nem isso a espelunca tinha, só pagando extra. Tentei dormir mas uns gemidos muito altos e estranhos me apavoraram durante toda a noite...

Continua...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA III PARTE: LIMA

 
 Dia lindo de ida ao museu Larco e eu me encantei com as tapeçarias, as cerâmicas e principalmente com as múmias, o museu tem um acervo maravilhoso e o que não falta é história e qual não foi a minha surpresa em ver que o museu dedica uma sessão ao Yuyachkani tamanha importância desse grupo para o país, na saída fomos comer uma galinha com ahí deliciosa e visitamos mercados para ver o artesanato que é de uma riqueza impar e muito barato, conhecemos um professor de inglês brasileiro que vivia lá e a cada frase emendava com um palavrão.
Ficava boba de ver o céu tão cinza, frio e sem chuva muito seco,comprei luvas, comprei cachecol e me maldizia por não ter trazido meu sobretudo xadrez a La Sherlok Holmes e ainda por cima ter trazido tão pouca roupa. Na verdade eu queria praticidade,e uma mochila leve e agora pagava o meu preço. Então tivemos a ideia maluca de todos os dias trocarmos os casacos, era engraçado no dia que eu saía de camuflado rsrsr.
Em nossas caminhadas observávamos muito  as pessoas e eu tentava ao máximo um distanciamento. Alguns campezinos vendiam bugigangas nas ruas e se notava uns olhares tristes... Não pareciam ter orgulho da forma como se vestiam, falavam e muito menos de como  viviam. Mas essa visão dos campezinos se transformou quando cheguei a Cuzco.
Os campezinos desse país as maiores vitimas e a maior resistência, anos de desaparecimentos, eu uma turista, queria ir a museus e a  Cuzco comprar artezanias, comer gostoso, me divertir e descansar. E assim fiz, estava tendo uma overdose de cultura e arte, conheci o que pude da cidade e no meio disso tudo numa bela manhã descobrimos que Arequipa cidade de nossa rota tinha sofrido um atentado a bomba, e a situação estava muito caótica, então tivemos que mudar o nosso caminho tornando-o mais longo e caro.
Mas seguimos nos divertido conhecendo pessoas alegres, uma cidade cheia de encanto, um povo hospitaleiro  Um dia subi no morro de São Cristovão e quase morri de medo, ribanceiras e mais ribanceiras assustadoras, Fomos a Barranco, bairro das noitadas muito bonito e conhecemos o grupo La Cuatro Tablas de renome em Lima e visitamos também o La Torumba escola de circo que me encantou pelo trabalho lindo com crianças.
Depois de quase uma semana nos despedimos dos novos amigos  e embarcamos para nosso objetivo maior: Cuzco.
 Não teve jeito pra que eu gostasse dessa coisa aí rsrsr
 
Já o pisco e a tchicha morada amei!

Cheviche comi até não aguentar mais rsrsr

Os Músicos Ambulantes (Adaptação da obra de Chico) com meus queridíssimos Yuas Tereza, Ana, Devora e Augusto ( querido passarito), Julian e Amiel e direção de Miguel Rubio
Cenas lindas e chocantes da história do Perú.Vale a pena ver o depoimento desses artistas.

Continua...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A VIAGEM DA MINHA VIDA II PARTE: LIMA


Foto 9 anos depois, no meu terceiro encontro com o grupo Yuyachkani

Eu tinha voltado há pouco da Dinamarca, país aonde tudo é tão perfeito que enjoa e eu enjoei mesmo. Quando Cheguei em Lima a primeira impressão não foi boa porque estava um oposto absurdo: um céu cinza de nuvens do tempo e de poluição, um cheiro forte de peixe, transito caótico. Pegamos o bendito transporte que nos cobrou 20 vezes mais caro e chegamos em Madalena Del Mar, na casa da amiga de Hirton. Ela nos recebeu meio desconfiada e dias depois nos confessou que morreu de medo quando viu aquele bando de homens e aquelas duas mulheres, todos tão altivos, fortes e orgulhosos chegando, ela que não recordo o nome, nos achou muito estranhos, o que logo se transformou numa grande empatia. Já tínhamos o contato de um historiador que iria nos dar alguns dados,dicas e nos encontrou no primeiro dia mesmo para conversar.
Ficamos sabendo através dele sobre o grupo Yuyachkani de teatro e toda sua história artística e politica, também marcamos uma visita com ele no museu de história natural. Nesse meio tempo fomos ao consulado, coisa que fazemos sempre que chegamos a algum país. Nos receberam bem ,aproveitamos pra pedir um apoio para a pesquisa e eles nos conseguiram as entradas para Machu Pichu, museus, e as passagens de ida e volta no trem que é exclusivo para os peruanos a caminho de Aguas Calientes.
Seguimos então desbravando timidamente o bairro, vendo as cores, as pessoas. Tudo muito pitoresco, cachorros passavam vestidos nas ruas com camisas da seleção brasileira 10 Ronaldo, era copa do mundo e os peruanos torciam fervorosamente pelo Brasil, alguém reconhecia que eramos brasileiros e logo puxavam conversa sobre a seleção. Fomos a um centro comercial que tinha vários barzinhos e comemos papas rellenas por 5 solis. Uma velhinha tão simpática nos servia, um grupo de músicos veio cantar e tocar a mesa, demos alguns solis a eles o que se converteu em arrependimento depois, porque bastava ver a gente chegar e lá vinham eles com o mesmo repertório, depois de sete dias eu não aguentava mais e a velhinha simpática nos vendeu os bolinhos 10 vezes o preço que vendia pros outros. Isso tudo no primeiro dia.
Quando voltamos  resolvemos ver o que tínhamos trazido  e todos traziam sopa e barrinhas de cerais assim como eu, despejamos fazendo uma montanha,com exceção de Manú que teve a ousadia de trazer uma linguiça e um pedaço de carne de sertão, rimos muito do que pensávamos ser naquele momento uma tabaroince, parecia acampamento na praia, mas que mais a frente seria a nossa salvação. Saímos para comprar feijão e improvisar uma feijoada. Meu Deus quantos tipos de batatas, dois mil! Quantos tipos de milho,55! Quantos tipos de feijão! Dormimos nesse dia, cheios de planos, cada um com um foco, uns em busca de história, outros de arte, outros a aventura e o meu era experimentar pela primeira vez a liberdade. Todos conseguiram alcançar o que buscavam.

 

No outro dia fomos visitar o grupo Yuyaskchani em sua linda casa vermelha. A maioria estava em turnê mas os que estavam nos receberam bem, mostraram suas máscaras, o teatro, alguns videos, contaram sua história e luta e nos convidaram para ver alguns espetáculos.
Nesse mesmo dia fomos ao centro e vimos que alguma coisa pairava no ar, meu sexto sentido me dizia que as coisas não iam bem... sentamos nas escadarias na Praça das Armas e de repente vi o que só conhecia da tv , policiais com seus escudos e armas, manifestantes com suas pedras  e coquetel  molotov. Continuei sentada assistindo como a um filme, ou uma representação de camarote. Pensava que aquilo não me pertencia, tamanho o meu distanciamento que sentia, aquele problema não era meu e estava com aquela sensação de sem noção de perigo que alcançamos quando viajamos.
O país estava recém saído de uma ditadura sangrenta de  dez anos o fugimorismo e ainda tinha o Sendero Luminoso que a principio lutavam por uma boa causa o que se transformou depois basicamente em luta pelo narcotráfico.O povo sofria com a inflação, e o desaparecimento de 13 mil pessoas.O país estava sofrido, rebaixado, crianças aos montes mendigavam sujas e pediam para comprar suas balas, numa ladainha sem fim: "Compre Senhorita, compre" Ainda tinham medo, se percebia o medo no rosto das pessoas.
Mas aconteceriam coisas lindas e o povo, o país estava cheio dessas maravilhas para descortinar aos nossos olhos
A noite assistimos Antigona
Continua...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

HOJE AMANHECI COM SAUDADES


Ele era de meu irmão quando pequeno, tanto manipulei a situação que convenci a minha mãe que meu irmão não cuidaria direito e seria melhor ficar comigo. Ainda me lembro o dia que trouxe ele: Vim caminhando com ele dentro da mochiliha de pano de minha sobrinha, quando cheguei em casa desembrulhei o meu pequeno tesouro, branquinho felpudo com grandes e espertos olhos amarelos.
Eu já tinha o Conde Bóris meu outro xodó do mesmo tamanho os dois fizeram logo amizade e aprontavam o tempo todo, bolinhas rolavam , pulavam por todos os lados e meus dois amores cresciam lindos e felizes. A primeira árvore de Natal que eles viram quase não fica de pé porque eles queriam jogar o tempo todo com os enfeites. Conde Vlad quase não miava e quando isso acontecia era muito baixinho e educado.
Vlad tinha um extinto latente que me aborrecia: aquela coisinha fofa, limpo e educado conseguia matar em segundos tudo que era menor que ele e eu vivia a salvar passarinhos e lagartixas quase que diariamente. Os ratos bastava gritar: olha o ratinho e em minutos ele acabava com o roedor.
Sempre me fazia companhia, adorava um banho e comia bem pouquinho.
Adorava amanhecer o dia abrir a porta do quarto e encontrar meus dois amores ansiosos pra que eu coloca-se o desejum,
Uma bela noite chamei, ele nao veio, amanheceu o dia e nada, Boris miava pela casa procurando por ele, e eu saia pela rua chamando, perguntando, coloquei cartazes. Uns meninos disseram: eu vi ele, rebate falso...
Depois de quinze dias ligaram aqui pra casa dizendo que há quinze dias ele tinha morrido envenenado no quintal de um vizinho. O seu forte extinto levou ele, pois deve ter comido algum roedor envenenado, Não chorei, a dor já tinha amadurecido, mas a tristeza ainda passa de vez em quando por aqui.
Um ser vivo e tantas alegrias na minha vida.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

EU E O MAR


Nota: Antes que digam "Como pode uma vampira gostar de mar e sol?" A tecnologia cosmetica sempre me permitiu participar do dia.
Sempre gostei do mar, uma atração inexplicável, um amor, uma necessidade que ia muito além daquela coisa comum a quase todos de se acalmar ao contemplá-lo. Quando criança imaginava que na verdade eu era uma sereia órfã adotada por humanos e rezava para minha cauda de peixe e minha capacidade de respirar debaixo d’água voltarem.Mergulhava com os pés juntos (que cansava em dobro), para não esquecer o jeito que as sereias nadam, mas na verdade nunca tive muito fôlego e nunca fui boa nadadora.
Tinha um lugar que pra mim sempre foi mágico: Mutá, lugar de enseada, aguas calmas. Na minha infância não tinha nem luz nem água encanada, perfeito para criança que não vivia lá, que podia ir a praia durante o dia, carregar uns baldinhos de água como brincadeira e ganhar na noite histórias contadas pelos mais velhos a luz de candeeiro. Mas isso era só nas férias.
Crescendo e sempre mudando de casa quase como uma cigana, fui morar no subúrbio ferroviário que é todinho de praia e nesse tempo não era tão poluído, assim da janela do meu quarto via o mar, ele me chamava de dia brilhando num azul cheio de prata ou a noite coberto de estrelas e luzes dos pequenos barcos, era uma ladeira enorme até a praia, mas eu não resistia, sempre que dava tava lá, sempre feliz na água, sempre morena tostada ao óleo jonsons porque nem se pensava em filtro solar e sim em se tostar.
Quando voltava da escola podia voltar de ônibus ou pegar uma rota absurda: Lancha+trem+ 30 min. de paletada e eu preferia quase sempre a segunda opção só pra estar perto do que eu queria que fosse o meu habitat natural. Às vezes quando voltava da aula de educação física simulava um acidente escorregando na ponte e caía de roupa e tudo junto com a molecada.
Mas o tempo passou e chegou à época do primeiro amor, o primeiro beijo. Estava no meu paraíso (Mutá) e conheci um rapaz que era quieto observador muito lindo e outro também lindo e o oposto do outro.Não sei porque mas me engracei pelo que é justo o meu oposto, o quietinho e então a beira da praia era o cenário.
Passeios de mãos dadas,olhos nos olhos, o primeiro beijo,o primeiro abraço cheio de desejo e tudo isso aconteceu na beira do mar.
Tempos depois o amor que me acompanha até hoje o primeiro beijo também foi sob as estrelas em Itapuã no último minuto de um ano que já vai longe, ouvindo o barulho das ondas...
Queria ter tido meus filhos na agua salgada, essa ligação em mim que não sei explicar,preciso ver o mar, preciso sentir a água envolver meu corpo, sentir como se o nosso amor azul esverdeado fosse recíproco, mesmo sabendo que o seu amor é traiçoeiro, parece que nasci no mar, e no mar já quase morri... Odoyá minha mãe.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

HOJE É DIA, DIA DE INDIO


Quando criança escutei de minha linda avó paterna que ela era filha de uma escrava com o filho do dono do engenho. Um tio me contou que minha tataravó materna foi resgatada quando jovem no meio do mato, porque tinha se desgarrado de sua tribo e por algum motivo estava vagando perdida e então entrou pra familia. Meu pai é negro de olhos claros, minha mãe é clarinha de cabelos negros, tenho uma irmã loira, sou neta de caiçara por parte de avó materna, sou negra e dizem que hoje é dia do indio??!!! "Onde estão os donos desta terra?"
Então eu fico confusa, quando as pessoas abrem a boca pra dizer sou da raça negra, raça isso, raça aquilo. Não é possível que as pessoas ainda discutam isso. A única raça que existe é homo sapiens para denominar humano, por necessidades de adaptação ao meio somos diferentes em alguns detalhes, aliás cada ser humano é um ser único e exclusivo em sua personalidade.
E os indios? Quando invadiram o Brasil em 1500 esses donos da terra foram enganados, subjugados e destituídos de sua cultura o que dura até hoje, até quando? Em outros países colonizados os nativos foram exterminados, aqui a tragédia foi gradual se estendendo até os dias de hoje.Nós todos temos uma dívida com a história, com todos os irmãos negros, indios, imigrantes. Espero o equilíbrio, o respeito ao direito de sermos nós mesmos. E eu sou uma mistureba de gente.

"Sou da cor dos seus olhos
e um pouco desse céu anil
sou o inicio do mar a nascente do rio,
Sou guerreiro, indio
menino de rua yaê,
pai santo no terreiro
sou terra sou ar, sou brasileira".

Versos que foram musicados por mim,de Eliana Alcântara sempre Tupã, brasileira atriz e poetiza que vive hoje na Suíça.

domingo, 15 de novembro de 2009

E VIVA A REPUBLICA!

Então. Hoje fazem 120 anos de plocamação da republica, se naquela época não teve muito o que comemorar imagine agora. Ela já começou controlada pelos militares e pelos coronéis. Mudou quase nada do que já acontecia no país. A população não podia votar e os que podiam votar eram coagidos, imagine que em muitos lugares do nosso lindo país as coisas continuam na mesma. Corrupção e ai chega! Eu não sei falar de política. Garçon por favor uma porção de batatas fritas, uma cervejinha gelada e um pouco de vergonha na cara pra esses governantes por favor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

ESTAVA EU UM DIA SENTADA NA PEDRA

Estava eu um dia sentada na pedra, pensando na vida, olhava o mar, olhava o céu engolia o ar.Estava eu toda encolhida, me achando miudinha diante daquele maravilhoso show de cores, sons e me deixei levar por todas as sensações daquele momento. Ai que delicia! Andei com os pés na agua, quanto tempo não fazia isso mesmo? Não me recordo. Mas o céu azul quase lilás de quando anoitece (que não é azul), o mar azul (que não é azul) , eu ali sentada na pedra (que não existe) e eu ( que não existo). Olhava as estrelas (que não existem) as primeiras que surgem( que já morreram) e pensava... a vida é sonho, é ilusão, tudo não passa de uma grande ilusão.
Estava eu um dia sentada na pedra, dentro de uma caverna pensando na vida, olhava o azul da lagoa (que não é azul), vendo o brilho das estalagnites e estalactites brancas (que não são brancas), ouvindo as gotas cairem, sentia o cheiro de terra molhada, me achando miudinha diante daquele show de cores e sons e odores , me deixei levar pelas sensações, ai que delicia! Quanto tempo não fazia isso mesmo? Não me recordo e era tudo tão lindo...
Estava eu um dia sentada na pedra, pensando na vida, olhava o verde que se estendia, estava no topo de um vulcão, me achando miudinha olhando aquele azul do céu (que não é azul), aquele verde do campo (que não é verde), tinha algumas pessoas lindas (que não existem) pareciam felizes...ai que delicia! Quando eu iria fazer isso de novo? E sentia o quanto aquilo tudo era magnifico...
Estava eu um dia sentada na pedra, pensando na vida, olhava o céu azul (que não é azul), o verde da grama (que não é verde), andei então, estava eu (que não existo) em um cemitério, quanto tempo não fazia isso? Sei lá, ontem mesmo acho que estava aqui, vi pessoas (que não existem) pareciam tristes, não olhei outra vez para traz segui meu caminho fui sentar em outra pedra, olhava as estrelas (que já morreram) e enquanto isso pensava...a vida é sonho e tudo não passa de uma grande ilusão... então fui sentir outros ares, ver outras pessoas, ver mais cores.
Estava eu um dia sentada na pedra, pensando na vida...

Um dos primeiros textos publicados no blog, sobre o que entendo de física quântica rsrsr

domingo, 14 de junho de 2009

SAUDADES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

POXA GALERA, MORRO DE SAUDADES DE POSTAR E DE RECEBER O CARINHO DE VCS. ESPERO VOLTAR LOGO A POSTAR E VISITAR TAMBÉM. AGORA UMA PERGUNTA:
O QUE A GENTE FAZ QUANDO GOSTA MUITO, MUITO DE ALGUÉM E ESSE ALGUÉM SE AFASTA, NÃO QUER MAIS SUA AMIZADE E VC NEM SABE O PORQUE DA ZANGA? E NÃO EXISTE BRECHA PRA CONVERSAR?E MESMO ASSIM TODO DIA VEM A PERGUNTA: PQ? Aceito conselhos, visitas, comentários, carinho.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

APROVEITE E VEJA O VIDEO

Mais uma vez... Sem computador, ninguem merece , que prisão essa vida moderna, tanta coisa pra fazer e ver, volto assim que der.
Pra lembrar um tempo massa e eu que sem computador hoje estou na lama, mas a letra é linda, escute bem alto, clic: Maracatu Atômico
Movimento Manguebeat bom demais e haja lama e carangueijo.
Aproveite e vejam o video de um dos passeios de Lima ao cruzeiro, foi meu colega Thiago quem fez, o comecinho tá ruinzinho pq foi de celular mais tá bem legal, beijão gente saudades de postar

sábado, 4 de abril de 2009

LIMA POR VAMPIRA DEA PARTE II: MUSEU DA INQUISIÇÃO

MUSEU DA INQUISIÇÃO EM LIMA
INQUISIDORES
TORTURAS







Em Lima não pude deixar de visitar o museu da Inquisição, como vocês sabem o espetáculo Branca encenado pelo Oco Teatro Laboratório fala sobre isso. Impressionante como o poder não tolera as diferenças e como se usou e usa-se até hoje o nome de Deus para praticar barbáries. Ele tem cenários com manequins nas posições de tortura, documentos e algumas celas originais no subsolo que visitei sentido muita angustia... As torturas podiam ser: Ter os membros amarrados por cordas que eram esticados, ser pendurado pelos braços, ser obrigado a beber litros de agua deitado e com o nariz tapado, ser chicoteado, ter os pés ou os braços presos a uma estaca de madeira e por aí vai, a criatividade para essa prática macabra parecia inesgotável e um médico acompanhava a tortura para que nem uma gota de sangue fosse derrubada, enquanto um padre enchia o saco para que o réu confessasse qualquer besteira absurda. Para mim um rápido e triste laboratório.
Isso tudo serve pra que os erros não se repitam...

sábado, 28 de março de 2009

Despinhadeiro

Abro e fecho meus olhos, muitas vezes, pisco sem parar como que para ter certeza do que vejo, sinto os cheiros o vento. Daqui de cima do cruzeiro de S. Cristovao o vento me chega diferente, é um mar de luzes, serpentes vivas de fogo que saem da terra, sao luzes, sao pessoas. Nao sei como tive coragem de subir aqui, o nome do percuso dado por um amigo meu é Jesus está chamando, porque o carro passa a centimetros de cair do despinhadeiro enquanto vemos casinhas coloridas que parecem feitas de caixas de fósforos e o guia insiste em mostrar o cemitério. Mas quando se chega tudo vale a pena, vejo toda a cidade até o mar, seus engarrafamentos, luzes, prédios. Vejo um incêndio o fogo lambe o céu, imagino o desespero e penso no meu próprio porque ainda tenho que descer, sendo que só subi porque esqueci como era...Coisas me voltam a mente, frescas, como foi quando estive aqui da primeira vez...e choro porque o tempo passa, porque tudo passa e fico feliz porque tudo passa. Subi de dia, desci de noite.

VIDEO DO MOMENTO DESSA SUBIDA FEITO POR TIAGO CHAVES

domingo, 15 de março de 2009

RECORDAR, REENCONTRAR,TÃO BOM...

Eu em um dia de trabalho com crianças

Poxa! Hoje tive um dia encantador, reencontros com pessoas que convivi, meu antigo grupo de teatro.Quantos risos, quantas emoções mexidas.
O Tupã Teatro Laboratório foi o grupo que me despertou para o trabalho e pesquisa teatral, arte educação e também me incentivou a acreditar em mim. Com Hirton Fernandes Junior como diretor Trabalhavamos muito, horários rígidos, treinamentos físicos, estudos, canto, pesquisas musicais, intercâmbios, viajens, projeto de arte educação com crianças, adolecentes adultos, idosos. Sonhavamos muito também. Compartilhamos tantas coisas.Tinhamos a nossa própria filosofia.É maravilhoso saber que todos tocam bem a vida, os que estão perto e os que se espalharam pelo mundo, os que continuam trabalhando com teatro e os que se descobriram em outras artes. Beijo no coração de todos.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Quem é importante pra mim?

Hoje foi um dia no qual eu pensei muito na importância das pessoas na minha vida. É impressionante mas você que está lendo esse post nesse momento já se deu conta de quantas pessoas já passaram em sua vida? Muitas só passaram, outras passaram mas deixaram marcas e outras não passaram, estão e talvez fiquem para sempre, ou não...
Entre pessoas ligadas por laços sanguíneos, outras ligadas porque escolhemos e outras tantas que nos escollheram, as de perto e as de longe, não sei onde está a maior saudade.
Poxa saudade palavra doce mais que as vezes dói... sinto falta da maioria das pessoas que fizeram parte dessa minha curta vida, porque nem sempre consigo dar a atenção merecida e você?
É interessante perceber que muitas fisicamente estão próximas e na verdade estão longe e outras fisicamente estão longe e em pensamento e coração estão bem perto.
O pior é que geralmente corremos atrás de quem não nos dá o devido valor enquanto quem vale a pena, sabemos que está lá e pronto, não fazemos nada. Só que tem uma coisa se gosta de mim demonstre eu não posso adivinhar e quero fazer o mesmo de agora em diante sempre que perceber o quanto alguém é importante para mim, mesmo que só naquele momento, vou fazer de tudo pra que fique sabendo. A vida é curta e cheia de caminhos, sabe lá se vou ter outra chance?
Concluindo nisso tudo é que somos seres solitários não importa a quantidade de gente em nossa volta, mas vamos ser importantes, necessários mesmo assim, ainda que nunca tenha dito, obrigado a todos que fazem, fizeram ou farão parte de minha vida, aos que já briguei, beijei, abracei, ajudei,falei, amei, olhei, mordi ou senti a minha eterna gratidão.

Pensei que nem precisava
Eu simplesmente achava que me achava
pensava estar livre de pensamentos e recordações
Na verdade eu procurei e não encontrei
Perdido em tantos desatinos
Aqueles que um dia deixei
Esquecidos em cantos
Esquecidos em cadernos
documentos, poemas, músicas, cheiros, arquivos de endereço e fotos,
Até no lixo!
Pra que fui tentar esquecer
Coisa impossivel de ser
o que procurei e não encontrei
Estava todo tempo guardado em mim
e eu sem saber...
tola eu, o que quero esquecer?
talvez só quando eu morrer.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ADEUS D. CARPA

Hoje chegou Bóris o gatinho que eu tanto queria e mesmo assim estou muito triste, porque D. Carpa se foi. Morreu hoje de madrugada, vermelhinha que era ficou quase branca. Há tempos que não se alimentava mais, estava magra, sofria de uma anemia profunda, os olhos estavam brancos e salientes, passava os dias esfregando as nadadeiras nas pedras, nadadeiras encolhidas. Ela contraiu tuberculose. Isso mesmo na madrugada de hoje faleceu minha amiguinha D. carpa de tuberculose.
Cinco anos ela viveu aqui em minha sala, do lado do computador e foi minha companheira das noites de insônia. Bastava eu olhar para ela, e eu ficava calma, ela flutuava alegre em uma fonte, não tão grande quanto ela merecia, mas suficiente para seus parafusos e pulos que me angustiavam, pois pensava a todo momento que um dia ela pularia e eu não estaria para salva-la. Pedia comida e gostava de comer na minha mão. Jogava agua na sala e quando tinha movimento na casa só faltava botar o corpo todo pra fora d'agua pra tomar parte. Linda!
Não sabia que tuberculose dava em peixe, vixe!
Ela foi infectada quando no Natal achando que ela estava muito sozinha comprei uma outra carpa para lhe fazer compainha. As duas nadavam juntas, comiam muito, gostavam de catar bolhinhas na bomba. A outra carpa pulou da fonte e morreu seca debaixo do sofá, mas estava infectada, eu não sabia e passou a doença para D. carpa.
O pior de tudo é que a culpa foi minha. Não fiz a quarentena do peixe novo. É preciso se informar quando vamos adquirir um bichinho seja ele qual for, para cria-lo com respeito e dignidade.Ficou a lição.
Mas fica aqui a minha saudade, muitos sonhos e planos foram idealizados enquanto olhava minha sereia nadar.
Em breve irei postar as tão prometidas fotos...tarde...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PARA RECORDAR

Nossa memória é tão complexa e poética, depende dos sentidos, uma música, um cheiro, um toque,um sabor ou uma imagem pode bastar para nos fazer voltar no tempo ou viajar para algum lugar distante,por uma fração de segundo que seja, torna o impossivel quase que palpavel. São lembranças que carregamos e é ativada por coisas simples. Como atriz preciso a todo momento usar esses recursos da natureza.Seja para construção de uma personagem ou para instalar o meu estado de concentração.O meu sentido mais presente é o olfato e ele as vezes me coloca em cada situação ,sou capaz de lembrar um lugar pelo seu cheiro, ou lembrar mais o cheiro de uma pessoa do que do próprio rosto e com essa sensibilidade passo pelos bons e os ruins, ainda bem que não sou como o personagem de "Perfume" Ufa rsrsr, no qual o sentido apurado do olfato e o desejo de criar o perfume perfeito se traformam em assasinatos em série.Outro que me faz viajar é a audição.Hoje escutei a música tema de Capitu: Elephant Gun da banda Beirut e tenho certeza que sempre vou me arrepiar quando ouvir. Algum motivo especial? Uma euforia que não sei explicar, desde a primeira vez que escutei. me leva ao mar, a uma praia que só estive em meus sonhos. A letra não é grande coisa mas adorei a combinação dos instrumentos.Sabe aquelas coisas que você diz não esqueço? Vem do nada, é assim...Só sei que achei linda!
Para escutar:
O clipe da série Capitu: http://www.youtube.com/watch?v=AQefJdhevZQ

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Los Hermanos




Los Hermanos

Composição: Atahualpa Yupanqui

Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
En el vale en la montaña
En la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual
Con la esperanza adelante
Con los recuerdos de trás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Gente de mano caliente
Por eso de la amistad
Con um lloro para llorarlo
Con un rezo para rezar
Con un horizonte abierto
Que siempre esta más allá
Y esa fuerza pa buscarlo
Con tezón y voluntad
Cuando parece más cerca
Es cuando se aleja más
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Nos perdemos por el mundo
Nos volvemos a encontrar
Y asi nos reconocemos
Por el lejano mirar
Por las coplas que mordemos
Semillas de imensidad
E asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Y en nosotros nuestros muertos
Pa que nadie quede atrás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y una hermana muy hermosa
Que se llama libertad