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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O PALCO DA TARDE


A tarde chega naquela praça totalmente desprovida de atrativos, pobre e sem graça, seca e sem cor. Porém o sol se põe deixando uma tênue cor de rosa no horizonte, talvez para o alento de quem passe. Contudo afirmo que não adiantaria ter graça mesmo, pois o lugar estava repleto de uma gente que lutava dia após dia para não perderem o mesquinho dom que tinham de existir repetindo seus dias de mediocridade e nem perceberiam essas nuances.
Seres humanos de aparência feia e linda, jovens e velhos, ricos e pobres democraticamente dividiam este espaço e refaziam os mesmos caminhos todos os dias, para ir aos mesmos lugares: Escolas, restaurantes, hospitais, lojas, escritórios. Falavam os mesmos verbos, os mesmos adjetivos pelos cotovelos, repetindo sem parar as suas idiotas convicções e nada surpreendia, pois o cotidiano era banal e estavam mais que acostumados.
Ser diferente neste lugar era proibido, assim àquele que infligia às regras sofria duras criticas e depois eram isolados, fazendo com que não suportassem e mudassem de cidade, mal sabendo o castigado que assim descobriria a liberdade. Mas o ponto principal realmente era a praça. Neste espaço apontavam, indagavam e rejeitavam qualquer tentativa mínima de autenticidade, até as crianças desse lugar já nasciam aptas a vigiar para criticar:
Um dia eu mesma enquanto anotava umas palavras aleatoriamente para construir algum texto com elas, enquanto observava à tarde, fui indagada por uma linda menina que passava no veículo escolar. O sinal fechou ela aproveitou e gritou apontando para chamar atenção:
 —O que é isso? Perguntou da janela para meu colega que fazia o mesmo que eu, ele ficou meio sem graça. Eu impaciente que sou vendo que o sinal não abria e a menina não parava de atirar a mesma pergunta, respondi com a primeira palavra estranha que me veio a cabeça:
—É performance minha filha, é performance.
O sinal abriu e ela se foi muito feliz com a resposta, compartilhando com os coleguinhas, repetindo a palavra que nem sabia o significado. Mal sabendo ela que já estava dividida por duas linhas finas, pois sabia vigiar os outros e ao mesmo tempo corria perigo por demonstrar felicidade.

Sim, isso mesmo que você deve ter pensando, feliz não era um estado permitido nesse lugar, a não ser que fosse a breve euforia experimentada com a derrota alheia. E voltando ao ponto principal a praça sem graça, aonde todos desfilavam ansiando serem notados e como num grande concurso de vaidades disputavam tudo entre olhares e risos de escárnio. O mais belo, o mais feio, o mais chato, o mais rico, em fim o mais qualquer coisa que fosse. Mal sabiam que o destino comum de todos os que desfilavam todos os fins de tardes naquela praça estava ali a poucos metros, a sete palmos, no solo sagrado que ficava bem no centro daquele palco coletivo de vaidades.
Vampira Dea

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MEU CORPO UM JARDIM

Meu corpo um jardim, onde floresce com força sensações, desejos e idéias.Onde percebo o quente da sua respiração ou a frieza de um olhar, a maciez de um toque ou a aspereza de palavras. Um jardim cultivado em uma vida inteira que ainda hoje se surpreende com sons, cheiros, toques e sabores, se alegra com cores e deseja sempre amar.
Um corpo que não é só um corpo, pois tem uma mente e uma alma que loucas guiam por estradas novidadeiras, meu corpo ainda se assusta com certos caprichos, mais é conivente com as duas loucas porque tambem tem das suas loucuras: Fazendo parte da natureza adora uma chuva, um banho de mar, se arrepiar e beijar, beijos que podem se transformar em dentes cravados em sua carne ou unhas cravados em sua pele.
Serenamente como uma flor as vezes esse corpo se abre mesmo quando alma e mente brigam entre si sem saber bem o certo a decidir, sinto pela boca, minha lingua o gosto do outro e seus desejos, seus anseios, vampira que sou, sorvo cada gota de sentimentos meu combustivel e misturo com os meus as vezes confusos, difusos e quentes, contradizendo a minha natureza odeio a frieza e queimo e ruborizo com o resto de sangue que ainda me sobra e sinto com todas as forças de um jardim que não para de crescer...
Vampira

Republicaçao de continho de sucesso

sábado, 5 de outubro de 2013

A TIA SOZINHA


Era uma tia muito velha, velhinha mesmo. Minha avó na época que perguntei tinha uns oitenta anos e me disse; Ela já deve estar na casa dos 100, porque quando eu me casei quase menina, ela já estava coroa. Vovó se foi e ela ainda ficou muitos anos.
Vivia só em um lugarejo de praia do interior, numa casinha pequenininha e aconchegante. O quintal era enorme, tinha coqueiro, abacateiro, limoeiro e pé de carambola, o último quando carregado era alugado, a pessoa  que locava tirava o quanto quisesse de frutas.
Comia bem, fazia tudo sozinha, morava só, no verão a casa enchia, de gente, de alegria de confusão, meninos e meninas, casais de namorados, ela ficava entre a alegria e a agonia de ver tanta gente mexendo em suas coisas.Quem chegava sempre levava a latinha de goiabada e a tia sorria o seu sorriso banguela. Se alguém esquecesse um alfinete guardava e no ano seguinte devolvia ao dono, tudo tinha valor naquela casinha. Era o extremo da economia; tirava lâmpada da geladeira pra diminuir a conta da luz, ralava tudo na mão pra não ligar o liquidificador, fazia a gente acender fogueira no quintal pra cozinhar o marisco que pegávamos na maré, só pra não gastar gás.A tv tinha sempre que ficar uma pessoa de plantão, pois se fosse ao banheiro e ela passasse, desligava.
Contadora de histórias, um deleite no tempo em que eu ia ainda criança e não tinha luz, aliás água também não tinha e antes da praia amada, tinha que encher as moringas. Isso no tempo que ainda era costume encher a casa de areia alva da praia e folha de pitanga nos dias de festa.
Só tinha um olho e era manca de uma perna, mas tratava baiacu como ninguém.Fazia moqueca gostosa cheia de limão, coentro e pimenta. Não saía de casa pra nada, as vezes espiava da porta, metade do corpo magro e alto dentro, metade fora, no entanto sabia de tudo que passava no lugarejo, as informações ninguém sabia como chegavam. Na verdade me lembro de vê-la sair uma única vez,indo a praia pra ariar os talheres velhos de prata na areia fina como sal num final de tarde.
Minha avó contava que ela namorou uma década, noivou outra e quando casou o noivo morreu. Desde então vivia sua vida reclusa. Na casinha ninguém tinha permissão pra entrar no quarto e dentro tinha um baú.Perguntava o que tinha e ela se aborrecia. Eu sempre achei que dentro tinha um lindo vestido de noiva, sempre pensava no dia quando se fosse, eu olharia o recheio do baú.
Todos os anos quando o verão acabava se repetiam os chaus e para todos lágrimas escorriam do rosto curtido pelo tempo como casca de árvore,acabavam os risos, a confusão, a anciã voltava para sua solidão. Nunca descobri o que tinha no baú, algum tesouro,tralhas velhas... No fundo acho que eu sabia o conteúdo sim: Ali ela guardava todos os seus sonhos.

domingo, 27 de janeiro de 2013

HIBERNANDO

Estou em um momento de poucas palavras, poucos sentimentos,  poucas vontades. Me guardando, congelando meu coração, numa forma de me proteger do mundo, dos jornais, telejornais, rádios, internet, simplesmente  hibernando. Quero acordar forte, isso não irá durar uma estação inteira, até porquê é verão e é impossível ficar parada por muito tempo. Que isso dure pouco, que a tristeza se vá. Não é uma fuga é uma forma de juntar forças.

sábado, 15 de setembro de 2012

MUITO SE RESOLVE DA JANELA DO ÔNIBUS



Angustias, dúvidas, saudades, amores não correspondidos, dores de cotovelo, adeus mal dados, amores platônicos, decisões urgentes, crises econômicas, tudo isso por muitas vezes se resolve ou ameniza  olhando através de uma janela de ônibus. Enquanto passam casas e seus jardins, comércios, prédios e praças, outros carros com seus donos trancados em ar-condicionado, lixo, gente e bicho, vejo pelo quadrado um tempo congelado. Vejo as questões como num mundo paralelo, num distanciamento, como se por um momento tudo ficasse em suspenso, os sons filtrados pelas músicas que escuto, olho de fora o que me pertence e o que não me pertence. Janela conselheira, divã de pobre, sem cobrar nada, sempre cheia de clientes. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

AIRIMIM E O FUTURO


 
A tarde passava mansa, com um sol lindo e brilhante de junho, quando o céu ganha um azul totalmente particular. A menina de cima de uma mangueira via o mar verdinho e sua espuma branca com o areal de areia grossinha, amarela, lá longe e mesmo assim o cheirinho de sal chegava ao seu nariz. Seu nome é Aimirim e seus pais lhe deram esse nome por ser tão miudinha e esperta, como as formigas. Moreninha,cabelos longos e uma flor vermelha de hibisco sempre estava entre seus cabelos.
Chupava as frutas doces, jogava os caroços sem nem dar conta do tesouro que tocava o seu paladar. Tem 14 anos e ainda este ano seus pais querem vê-la casada, até que o pretendente é bonito e forte caçador, mas ela queria poder correr feliz por mais tempo na mata e tomar banho de rio com os curumins antes dos seus curumins nascerem pois ainda achava muito cedo para tê-los.
A mata é linda, é enorme, dela o povo tira tudo que precisa, tem peixe no rio, tem frutas nas árvores e todo tipo de caça tem na terra e no ar. Respira forte, jogando aquele ar doce em  seus pulmões, leva um tempo sorrindo, só por estar viva e com a barriga cheia de manga doce.Do outro lado o rio Ipitanga corre lindo, suave, levando seus peixes, sua agua doce. De cima da árvore ela vê tudo.
Por ver tudo do alto, sente que alguma coisa não vai bem, pois de repente os pássaros voam num alvoroço de desespero. Rapidamente desçe da mangueira e sentindo que o chão está tremendo, deita e coloca o ouvido no chão, o som fica forte e se afasta. Sente medo, porque tem medo do que não conheçe e do nada sente que o chão se abre, dá um salto para trás. Começa a sair muita fumaça, o Pajé já tinha dito que do chão pode sair fogo e Airimim duvidou caladinha.
O que Tupã queria? Mas depois de alguns segundos percebeu que aquilo não era obra de Tupã, surgiram coisas coloridas, barulhentas que se deslocavam rolando por umas coisas redondas pretas que ainda não conhecia, seria animais, vindo de outras florestas? Não sabia e eles saiam e avançavam deixando pegadas no chão, o pior é que dentro de cada barriga podia-se ver pelo menos uma pessoa.
As pessoas que a menina via tinham o corpo coberto e só as mãos e a cabeça ficavam livres. Tinha também uma coisa transparente e escura nos olhos. Aimirim achava aqueles panos todos muito estranho, ela só gostava de usar a tinta do jenipapo e do urucum pra ficar bonita e espantar mosquitos, dias de festa colocava umas peninhas.
Passaram gritando. Pararam os bichos e saíram de dentro de suas barrigas, menos do maior que começou a comer as árvores e arrastar os seus troncos.A indiazinha pegou seu  arco e flecha e atirou contra o monstro que matava as arvores, no entanto as flechas caiam no chão, quebradas. Desesperada ela se jogou em frente ao monstro numa última tentativa e quando pensou que passaria por cima dela, simplesmente desapareceu e depois todos os outros.
Airimim ficou perplexa por bastante tempo sem entender nada, Enquanto isso em um lugar muito distante um grupo de pessoas brindavam com cerveja mais uma viagem no espaço tempo, mais um lugar de natureza virgem quase desabitado no qual poderiam chegar e investir como donos antes mesmo de tudo aquilo existir como cidade.A idéia seria ir de tempos em tempos e deixar marcas até o momento na história em que pudessem forjar um documento como proprietários e alí se tornarem latifundiários.
Vivendo num tempo aonde ar puro e agua são os maiores tesouros, sendo poucos a desfrutarem, ficariam ricos da noite para o dia. Não fizeram mal em acreditar nas pesquisas do derrotado Sr° Costa, depois de muitos anos de erro ele conseguiu colocar em prática a máquina do tempo, que tantos cientistas quase conseguiram realizar.
Eram Quatro pessoas: André um advogado de porta de cadeia, Valéria que aos trinta anos não fazia nada da vida a não ser gastar o resto da herança deixada por seus pais, Érico e Diogo que costumavam trabalhar no ramo do tráfico de animais, todos  sem nenhum excrupulo decidiram se unir simplesmente para um objetivo: enriquecer. Até aí estaria tudo bem se tudo isso não fosse acompanhado de tantas consequências nefastas.
No passado a indiazinha tentou esquecer o incidente,seguia sua vida feliz, iria casar ,ter seus curumins e viver e cuidar da mata, a tristeza chegaria após muitas gerações que nem os tataranetos dela alcançaria... 
Vampira Dea


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domingo, 19 de fevereiro de 2012

MINHA PRIMEIRA CASA


A primeira que nasci, cheia de gente, vó, tia, tios, cachorro, telhado baixo, paredes de barro rebocado,  dois quartos e chão furado. Fora construída com a ajuda de todos, terreninho comprado com o suor de minha tia, antes era mar, antes era maré, com o lixo do tempo que os outros faziam, entulho os buracos enchia, carregado na cabeça de minha mãe e meus tios se formou o chão, com as mãos de todos amassando o barro formou as paredes e enfim um teto pra todos.
Ficava na Península de Itapagipe, bairro do Uruguai, lugar que a baia de Todos os Santos banhava e tiveram que aterrar para construir. Lugar interessante onde muita coisa acontecia, sorveteria  e praia da Ribeira, Igreja do Bonfim. Carnaval que passava na porta com blocos e escolas de samba. Foi nela que vesti a minha primeira fantasia, dada por minha madrinha vermelhinha e com listrinhas.
Meus pais muito jovens ainda, muitas vezes me colocavam no carro dormindo e saiam pra ver a vista à noite na Ponta de Humaitá. Eu so acordava na hora de tomar o sorvete rsrs.
Nasci e já encontrei a casa assim, com a diferença que já existiam os cupins, quintal, meu pato, passarinho de meu pai. Todos se foram para outra casa e restaram eu , pai e mãe na casa até encontrar uma pra alugar. Quando saímos eu tinha quatro anos e ainda me lembro dos risos e fantasmas que inventava, do quanto ela me parecia grande, com paredes altas e chão brilhante,quase um castelo com um quintal que quase me perdia. Nela tive os meus primeiros sonhos, tristezas e alegrias. Hoje sei que era miudinha e penso que talvez ela hoje pudesse ser minha, mas a vida tem tantos caminhos e andei por muitas casas até chegar a que hoje estou feliz.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

UMA MARIA COMO TANTAS OUTRAS

Vida Maria é uma animação de curta metragem realizada no Ceará pelo diretor Márcio Ramos em 2006 por computação gráfica em 3D e conta a história de Maria José uma menina de cinco anos que é obrigada a largar os estudos para trabalhar e nisso vê a sua vida passar sem nunca voltar aos estudos. Com uma atmosfera que parece real, com as cores do sol escaldante do sertão nos emociona quando sem um mínimo de pudor nos mostra uma realidade crua, um circulo vicioso que até hoje se repete transformando pessoas e seus sonhos a uma sorte sem perspectivas. São tantas Marias assim pelo Nordeste, Brasil, mundo e pensar que tanto dinheiro é jogado fora quando poderia ser investido no essencial de cada ser humano que o direito a educação, a saúde, podendo assim exercer a sua autonomia e dignidade, mas preferem que as pessoas cheguem ao ponto da esmola promocional a serem Senhores e Senhoras de suas vidas.
Vejam, se emocionem

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

RECORDAÇÕES DE CRIANÇA

HOJE REPUBLICO TRÊS CONTOS INSPIRADOS EM MINHA INFÂNCIA. ALGUNS ESTÃO NUMA LINHA MUITO PERIGOSA, MAS É A TRADUÇÃO DE MINHAS SENSAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES DA ÉPOCA EM QUE CADA SITUAÇÃO ACONTECEU. METAINFORMAÇÕES

SINAL

Ela sempre estava lá. Não importava o dia, a hora, estava porque apesar de tudo achava mais tranquilo aquele lugar que tinha tanto movimento. Ele passava por ali, passava sempre com revistas ou um livro aberto em frente aos olhos tristes e curiosos. Um dia por um momento ele escolheu passar olhando o mundo. Ela estava no alto da torre de meninos que se equilibravam em uma pirâmide humana de molecotes sem dono, que faziam acrobacias em troca de qualquer coisa na sinaleira.
Por um momento mágico os olhos se encontraram, ela do alto da sua torre com seus cabelos emaranhados ao vento, ele do seu carro branco reluzente. Não sabiam explicar mas uma mágica aconteceu. Corações bateram forte e olhos curiosos buscavam o máximo de informações possíveis em trinta segundos. Ela quase errou o número, recebeu um beliscão na canela e pulou no asfalto quente do meio dia se recompondo. Ele se voltou para olhar mais um pouco, o carro se foi, tinha que ir para casa almoçar e depois aula de inglês e natação. Ela ficou no chão.
Por todo resto do dia e começo da noite se lembraram daqueles trinta segundos e ficaram a imaginar se haveria uma outra vez.
No outro dia tudo estava acontecendo como sempre, só que tão lento... A aula não passava, o sinal parecia ficar fechado uma eternidade...Chegou o meio dia,o sinal fechou e dessa vez ela prestou mais atenção no carro branco que dentro tinha um menino de olhos tristes emoldurados por cabelos negros. Eles se olharam, se perguntaram quantos mundos existem dentro desse mesmo mundo, ela teve vontade de parar o número acrobático que fazia, sabendo que iria receber uns cascudos dos colegas por atrapalhar o biscate, ele teve vontade de pedir para o motorista parar o carro, mas sabia que ele diria que não podia, ali era perigoso.Sorrisos foram trocados.
Os trinta segundos de acrobacias e olhares se repetiam, sorrisos trocados as vezes eram acrescidos de tchauzinhos furtivos e um dia ela arriscou e soltou até um beijinho. Eles queriam se falar, saber de que gostavam de brincar, ela queria saber que gosto teria sorvete de pistache ou Maklanchefeliz, se ele tia avó, como era escola e se na casa dele tinha piscina. Ele queria saber como ela conseguia se equilibrar daquele jeito, se tinha dez anos como ele, porque ela não estava na escola e como os olhos dela poderiam ser tão vivos.
Assim seguiu durante muitos meses:Trinta segundos no meio dia, ela trabalhando pra comprar comida, ou melhor cola que enganava a fome por mais tempo e ele voltando da escola construindo sua futura vida bem sucedida e cheia de responsabilidades. Um dia não se viram mais.Ele mudou de cidade nas férias, ela não acostumou a não ver ele na sinaleira, cheirou um pouco a mais de cola do que estava acostumada, para passar a fome e a saudade dos olhos tristes, dormiu e não acordou mais.


CRIANÇAS , FLORES E MORTE
Os tempos de inocência não são os mesmos para todos, alguns chegam a nunca conhecer esses tempos e vai agregando como pode, a sua realidade, uma leveza necessária em tudo, para sobreviver.Quando criança morava em um bairro violento, era comum a morte, de todos os tipos. Minha casa ficava no caminho do cemitério, pobre quando morria naquela época (não sei agora) ia embora em cortejo longo, carregado por amigos, se não tinha muitos amigos a tarefa ficava penosa porque os poucos que estavam presentes levariam a carga sem revezar.E isso tudo passava pela porta da minha casa.
Tínhamos um ritual,eu e meus amigos: Colocar os dedos cruzados nas costas.Acreditávamos que quem não fizesse isso a mãe morria, quem inventou? Quando cheguei já encontrei essa mandiga de menino.

Mas a criançada (bicho estranho criança) não perdia era enterro de anjinho, Aqueles que nem nasciam ou se nasciam nem tinham tempo de respirar da vida. Isso não era por maldade, era para ter a honra de carregar o caixãozinho branco, a coisinha balançando de um lado pra o outro dentro e no final receber um docinho de agradecimento.As vezes tinha até discussão.Jardim de mãe nenhuma tinha sossego, arrancávamos tudo que era vegetal pra levar na mão porque tinha que ter flor e valia de tudo, hibisco, mal-me-quer, maria-sem-vergonha, croto.
Um dia morreu o anjinho de uma vizinha e eu iria acompanhar o enterro até o fim da minha rua, arranquei algumas rosas de minha mãe ( estava cheia de orgulho, porque minhas amigas estavam levando hibisco, que tinha em todo canto) e fui seguindo a multidão. Minha amiga falou pra adiantar e quando cheguei perto do caixão me chamaram pra carregar. O coração bateu forte, segurei na alça e senti uma coisinha saculejando de um lado para o outro, porque a nossa solenidade não mudava o andar espevitado de crianças. Voltei pra casa pensando... Porque existiam histórias tão curtas...
 Uma amiguinha minha a Neguinha (parecia uma índia) era o cão em forma de criança, sabia sempre de tudo, primeiro que todo mundo, sempre vinha com a novidade: Morreu não sei quem, em tal lugar vamos lá ver?


Eu nessa época estava em crise de criança me perguntando e descobrindo que existia um fim, cheia de perguntas sem respostas e com uma curiosidade imensa sobre a morte. Escondida de minha mãe íamos a casa do suposto defunto ou defunta e levantávamos o lençol para ver, eu ficava petrificada olhando aquela coisa que  parecia oca, parecia nada, em cima das mesas pobres, as vezes ainda na rua, no chão com velas.
Parei no dia que levei o maior susto da minha vida. Acordei com Neguinha me gritando do portão, foi logo me dizendo: O vizinho morreu vamos lá ver. O vizinho era um menino de onze anos que toda vida tinha sido doentinho, cabeça enorme, cadeira de roda e eu não me lembro a razão, nunca tinha falado com ele. Fomos na casinha pobre, o corpo esticado na cama, coberto com lençol alvo, velas ao lado. Levamos as flores de praxe, condolências a mãe( que transparecia um rosto bem aliviado) e fomos ao quarto minúsculo, só cabia a cama. Olhamos uma pra outra como que para tomar coragem e Neguinha puxou o lençol.O defunto que tinha acabado de partir e ainda não estava enrijecido, no nosso ato de levantar o pano, fez com que o rosto flácido todo se mexesse, olhos abriram e a boca se escancarou em um sorriso assustador, saímos correndo a chorar e acho que nunca mais fizemos isso. Mesmo morando anos depois com o quintal para um cemitério. 
Fiquei por muito tempo pensando, pensando: Porque alguns já nascem sofrendo... Porque existem histórias tão curtas... Nunca encontrei respostas.Ninguém encontrará.

 Imagem: Mark Ryden
QUANDO AS LAGARTAS VIRAM BORBOLETAS

Ela tinha doze aninhos, um corpinho delicioso de ninfeta, seios despontando pro mundo e um calor entre as pernas que vivia contraindo, na tentativa de alivio e que só fazia uma humidade insistente surgir e obrigá-la a trocar suas calcinhas várias vezes ao dia.
À noite quando ia dormir suas mãos descobriam o corpo que arrepiava a cada toque, lhe causando sensações novas, descobria o prazer, o gozo que abafava no travesseiro. Sonhava muito com garotos, que não lhe davam a mínima. Velhos safados que se ainda estão vivos deveriam estar presos, lhe diziam gracejos.
Vivia a correr com os meninos, que pelo seu comportamento amolecado passava despercebida a vontade louca que ela tinha de dar uns amassos pelos cantos. Naquele tempo ainda havia muitas brincadeiras na rua e ela curiosamente não era muito dada a vaidades como as meninas da sua idade. Contraditoriamente ao fogo que consumia o corpo em transformação, ainda brincava e muito.
Suas colegas não tinham os mesmos encantos que ela, mas eram delicadas, frágeis. Ela não entendia o porquê dos garotos se interessarem tanto por essas meninas, já que com ela brincavam as mesmas brincadeiras e conversavam as mesmas coisas, mas eles preferiram sempre garotas assim, cheias de frescuras. De vez em quando tinha alguém que escapava um segredo: ”Fiz ousadia com Fulano”, ou “Eu vi Beltrano e Ciclana pagando ABC”. O que aumentava a sua curiosidade e vontade.
Espelhos e seus próprios braços eram alvos de constantes, beijos, lambidas, pois queria estar pronta quando chegasse o grande dia, não queria passar pelo vexame de descobrirem que ela não sabia beijar.
Uma bela tarde, se arrumou muito, conseguiu ficar mais linda, cheia de perfume, pintou até as unhas. Os amigos olharam diferente, caçoaram e estranhamente ela não quis brincar de pique, sugeriu esconde-esconde, estava cheia de segundas intenções: Beijar  o menino mais bonito da turma.

Na hora de esconder deu um jeito de ficar com ele, se esconderam detrás do muro de uma casa vazia, ela ofegante se chegou e olhou no fundo dos olhos dele. O menino a empurrou e gritou: Qual é? Beijar você?Você é brother! Saiu correndo gritando dois altos e ela correndo chorando direto para seu espelho e seu travesseiro.


terça-feira, 24 de maio de 2011

MORDIDA RASGADA

Deixei pra fechar com chave de ouro a festa aqui do meu niver aqui no blog com um continho do Gustavo Martins dono do divertidissimo Mini Contos Perversos (MCP para os íntimos rsrs), beijo meu lindo adorei.
"No niver da Amada Dea Machado, A Vampira Dea, uma adaptação de um continho nosso de 2003 que publicamos no aniversário de um ano do MCP, em 2009".



Mordida Rasgada


Uma vampira que suga histórias, que ronda a vida de narradores incautos, sempre um agrado e uma mordida.Depois na luz fraca e vermelha, na sua alcova subterranea, revive os momentos experimentados por outrem.

Emoções compartilhadas enquanto sua ansiedade não se dissipa, agitam a ampulheta da paixão, na esperança de aumentar o fluxo de sangue que, todos sabem não se altera.

Ao penetrar na sua mente desprotegida, ela é o novo personagem de histórias de horror, a vampira mais sanguinária, epidemia cruel, de contaminação rápida e violenta. E depois do susto da mordida, você descobre que ela é simplesmente um anjo.

A CAÇA E O CAÇADOR


Esse eu ganhei da Dita Panul dona do quentíssimo Diário Secreto De Uma Mariposa obrigada , linda.

Ela ouviu falar que algum vampiro andava à solta por aí, quer dizer, à solta é modo de falar porque vampiro preso nunca vi.O fato é que encontraram uns mortos chupados e outros desapareceram por uns tempos e depois voltaram pálidos e estranhos pela noite.Ela que andava num cio constante, queria viver para sempre, queria ser gélida e pálida, cansou daquela morenice quente, quería voar por aí escolhendo suas vítimas e fazendo o que bem quisésse. Então decidiu, cortou os cabelos para que o pescoço suculento ficasse sempre à mostra e circulava pelas madrugadas insones à caça de um vampiro porque quería ser presa.
Dita Panul

segunda-feira, 23 de maio de 2011

VAMPIRA?

Presentinho lindo do Anderson dono do É COMIGO? Blog de contos surpreendentes e belos, se eu fosse vcs não deixaria de conhecer.Um beijo pra vc, obrigada pelo carinho.
Vampira?


Esconde seus caninos com um sorriso?

Forma estranha de predar, ou seria simplesmente simpatia?

A história conta de vampiros famintos, conta de corpos esvaziados em taças e deboches sobre a ingenuidade humana...

Seria essa uma nova roupagem do mito???
O que fazer se o reflexo a confirma, se o alho lhe é só tempero, e os crucifixos são adorno do branco colo?
O predador amou a presa? Passou a viver entre o rebanho? 
Ou sua alma luminosa se escondeu sob uma alcunha mórbida para nomear melhor seus inerentes encantos?
Se é realmente predadora, devorarás aos muitos que gravitam nas órbitas de seus mistérios!
Se apenas fantasia... Que deliciosa fantasia!!!


Meu singelo presente!Abração querida

sexta-feira, 20 de maio de 2011

DENUNCIA DE SANGUE

Este conto ganhei do Herusa dono do Contices. Gostei muito, choca e nos faz refletir: Até no mundo dos vampiros existe pedofilia? Se existe na casa dos homens que se dizem santos, podem haver vampiros desvirtuados de sua fome normal.
Precisamos combater a pedofilia é crime! DENUNCIE ESTE MONSTRO


De Sangue

"Mamãe, o que é um vampiro?" "De onde você tirou isso agora? Vampiros não existem!" "Existem sim! Por que as pessoas não gostam deles, se tudo o que eles precisam é de ajuda?" "Minha filha, isso é invencionice de gente ignorante... olhe, na Idade Média, há muito tempo atrás, as pessoas não tinham explicação para as coisas, e inventavam essas histórias... depois alguém escreveu um livro, e outro alguém fez um filme, e mais um filme, e outro filme... e é isso, vampiros só existem no cinema..." "Mas não foi isso que o tio me disse!" "Tio? Que tio?" "O tio que vem me visitar todas a noites." "Como visitar, nós não temos visitas há meses, do que você está falando, menina?" "Mãae, o tio, o tio que vem falar comigo quando eu estou dormindo..." "... !!!" "Ele vem, vem todas as noites, e ele é muito legal, mas fala umas coisas que eu não entendo direito, ah, é gostoso mãe, dá um calorzinho aqui entre as pernas, mas eu acordo tão cansada! Ele disse que algumas pessoas chamam ele de vampiro, mas que ele não gosta desse nome, ele não me quer mal, só quer ficar comigo, só precisa da minha ajuda porque se eu não quiser ficar com ele, ele não tem para onde ir." "... !!!" "Mãe, ele é um moço muito bonito, sabe? Ele disse que se eu for boazinha, se não brigar com ele, as pessoas que brigam com ele ele não gosta, ele pode até ser meu namorado um dia... Mãezinha, você tá chorando, mãe... por que?" "É porque... é por causa desse moço, meu anjo, e porque eu não queria que isso acontecesse com você também..." "Você conhece ele, mãe?" "Sim, querida, mas, mas, era, sempre foi só um sonho... desde que eu tinha a sua idade... minha filhinha, eu queria tanto que você tivesse a paz que eu não tenho..."



quinta-feira, 19 de maio de 2011

PRESENTE PARA VAMPIROS


Este é um verdadeiro presente para vampiro, um belo pescoço. A dona da imagem pediu sigilo.
Mas fico me perguntando se a dona do pescoço também não é uma vampira, olhem a foto: A pele  lisa, as linhas sutis do lindo rosto, o colo tão claro.
Parece uma foto de uma mulher dos anos 40, aquelas atrizes de Holywood.
Adorei o presente. Pena não poder dizer quem é, vcs iriam adorar saber.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

SOBRE UMA TAL VAMPIRA

Mulher no banho. Magritte 1925

O segundo presente quem me deu foi o Toninho Moura dono do blog Dicas Sobre Nada  , cheinho de contos e novelas de mistério e humor refinadíssimo, além de ter um bom panorama do que foram os anos 80. Amei o presente e até corei rsrsr. Aproveitem um pouco desse querido virtual e visitem o blog. 

Vampira Dea
Todas as noites ela desfila suas pernas perfeitas. Caminha na multidão, à procura.
Dentre os que carregam sua cruz nas madrugadas, um é escolhido.
O que acontece ninguém sabe, pois quem ela leva nunca mais é visto.
Talvez se dissolva na plenitude do orgasmo perfeito, deixando de ser apenas alguém e passando a ser parte de tudo.
Pela janela no terceiro andar do prédio que há do outro lado da rua, sai uma espessa névoa avermelhada.
Dura alguns segundos. Além de mim, ninguém a vê.
Não é a primeira vez que chego tão perto.
Já segui o rastro do perfume até quase alcançá-la, mas desapareceu como fumaça desfazendo-se entre meus dedos.
Há milhares de noites a persigo. 
Amanhã, talvez, tenha sorte.
Toninho Moura

domingo, 15 de maio de 2011

O VISITANTE

Foto Menina Misteriosa
Vou começar a Semana do meu Niver com o presente que recebi da Menina Misteriosa dona do blog que leva o seu nome Menina Misteriosa e faz qualquer um parar pra pensar... Este continho adorei e estas duas fotos são de um visitante amigo meu que eu tinha pedido pra ele dar um recado, só que chegando lá ele viu a menina tão linda que esqueceu o que iria dizer rsrsr. E o recado era Continue sempre assim espalhando muito carinho e fazendo muita gente feliz.
Obrigada pelo presente fofo.
O Visitante

Nem me lembro em qual dia da semana passada, um morcego foi de encontro à minha janela lá pelas 3 hs da madrugada. Eu acordei tão desorientada, que achei que fosse um rato. Detalhe: eu moro muito, muito alto. Só quando o vi inteiro, com as asas abertas, entendi. Fiquei espantada com o tamanho e até agora não sei como ele consegue se fechar tanto e parecer um rato. Eu quase morri de susto com o barulho e com a imagem do corpo dele, peludo, exposto pelo vidro. Eu via a barriguinha subindo e descendo, dava para acompanhar a respiração; ele também estava tremendo e sobressaltado. 
Foto Menina Misteriosa
Quando ele se debatia, o barulho era ensurdecedor e assustador. Ainda estava muito escuro e, de noite, tudo parece maior e mais apavorante. E o danado gostou da minha janela, entrou entre as duas venezianas e acabou ficando com o pezinho agarrado; daí, se aquietou... 
Ele - não o morcego - me perguntou se eu estava com medo, se queria que ele fizesse alguma coisa ou se podíamos deixar pra quando o dia acordasse. Eu, ainda meio dormindo, disse que eu tinha uma amiga Vampira e que ia ficar tudo bem.
Quando acordamos, ele ainda estava lá e ficou até quase o final do dia.

Dea, eu me lembro e gosto muito de você, te sinto perto.

Um beijo 

Menina Misteriosa

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

BOLAS DE SABÃO E BRINCADEIRAS DE RODA


Em alguns momentos fico misturada a tantas pessoas, tantos olhares, tento não ser atingida, quero ser imune e não ser cativada, mas mesmo sem querer sinto o calor e o cheiro de todas e todos que mergulharam nessas aguas. Percebo suas vontades e necessidades, pois não há quem não seja carente de alguma coisa, assim como sou. Vejo os vários tipos de fome: de carinho, de limites, de atenção, de reconhecimento, de tranquilidade, de saber o seu lugar, e os vários tipos de vontades, observo como se tudo estivesse perfeito e nada fosse me atingir. Mas eu também tenho fome e assim sou alimentada.
Algumas me contam seus sonhos.Outras escapolem os problemas. Os olhos ficam a me pedir coisas que não posso dar e me observam como se eu tivesse algo de especial... eu até tento sair sem marcas. Até tento sair sem arranhões, mas como sempre saio com as marcas que os olhos me deixam, com um pouco de seus problemas, com o peso do carinho e vivo junto suas alegrias e por um tempo sinto as emoções doerem. porque elas me invadem. Procuro curar minhas ranhuras e retornar a vida de sempre, pois todos passam, ou passarão assim como o tempo, assim como a vida, mesmo sabendo que as vozes ainda vão ecoar daquela brincadeira de roda e que as bolas de sabão que fizeram o momento mais mágico ainda vão depois de conterem o mundo, se desfazer.
Quem veio para o processo pensando que ia ser fácil se enganou, no entanto acredito que todo mundo saiu com algo de novo. Mas só quem viveu sentiu como foi intenso, bonito, suado, muitas vezes duro, outras divertido, tudo o que aconteceu. Atingindo de diferentes formas as diferentes pessoas.
Tento de cada abraço guardar um pouco da essência de cada um pra mim, mas sei que tudo evapora. Esquecerão de mim, vão seguir seus rumos. Mas no meu coração terminam ficando, os teimosos, por mais que eu diga que meu coração é pequeno, eles terminam ficando. Eu fico com a certeza de  que todo mundo tem algo de lindo, algo a dar e algo a receber e eu como sempre termino recebendo e aprendendo muito mais do que esperava... Ainda não aprendi a agradecer direito...
Leia também: Escola sem medos

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

QUANDO AS LAGARTAS VIRAM BORBOLETAS (O DESPERTAR DO DESEJO)


Ela tinha doze aninhos, um corpinho delicioso de ninfeta (isso ela mesma pensava de si), seios despontando pro mundo e um calor entre as pernas que vivia contraindo, na tentativa de alivio e que só fazia uma umidade insistente surgir e obrigá-la a trocar suas calcinhas várias vezes ao dia.
À noite quando ia dormir suas mãos descobriam o corpo que arrepiava a cada toque, lhe causando sensações novas, descobria o prazer, o gozo que abafava no travesseiro. Sonhava muito com garotos, que não lhe davam a mínima. Velhos safados que se ainda estão vivos deveriam estar presos, lhe diziam gracejos.
Vivia a correr com os meninos, que pelo seu comportamento amolecado passava despercebida a vontade louca que ela tinha de dar uns amassos pelos cantos. Naquele tempo ainda havia muitas brincadeiras na rua e ela curiosamente não era muito dada a vaidades como as meninas da sua idade. Contraditoriamente ao fogo que consumia o corpo em transformação, ainda brincava e muito.
Suas colegas não tinham os mesmos encantos que ela, mas eram delicadas, frágeis. Ela não entendia o porquê dos garotos se interessarem tanto por essas meninas, já que com ela brincavam as mesmas brincadeiras e conversavam as mesmas coisas, mas eles preferiram sempre garotas assim, cheias de frescuras. De vez em quando tinha alguém que escapava um segredo: ”Fiz ousadia com Fulano”, ou “Eu vi Beltrano e Cicrana pagando ABC”. O que aumentava a sua curiosidade e vontade.
Espelhos e seus próprios braços eram alvos de constantes, beijos, lambidas, pois queria estar pronta quando chegasse o grande dia, não queria passar pelo vexame de descobrirem que ela não sabia beijar.
Uma bela tarde, se arrumou muito, conseguiu ficar mais linda, cheia de perfume, pintou até as unhas. Os amigos olharam diferente, caçoaram e estranhamente ela não quis brincar de pique, sugeriu esconde-esconde, estava cheia de segundas intenções: Beijar  o menino mais bonito da turma.

Na hora de esconder deu um jeito de ficar com ele, se esconderam detrás do muro de uma casa vazia, ela ofegante se chegou e olhou no fundo dos olhos dele. O menino a empurrou e gritou: Qual é? Beijar você?Você é brother! Saiu correndo gritando dois altos e ela correndo chorando direto para seu espelho e seu travesseiro.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ESTOU ESPERANDO VOCÊS PARA A FESTA


Este mês o Dea e o Mundo completa dois aninhos. Com esse meu pequeno mundo virtual conheci muita gente legal, li muita coisa interessante e carinhosa de quem passou por aqui. Aproveita me dá um presente aí, estou esperando.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

LABORATÓRIO YUYACHKANI










































Avistando montes nevados e o Lago Titicaca que um dia tive o prazer de contornar por terra, do alto, meu coração palpitava pela grande emoção que estava sentindo: Participar de um Laboratório de teatro com o grupo Yuyachkani no Perú, país que amo, com um grupo de tanta importância na América Latina. Obrigado a todos que compartilharam a experiência, obrigada Yuyas, Obrigada Oco Teatro que agora entra na reta final para o Filte, com a presença de muitos grupos de peso inclusive o yuyachkani.
Para ver as fotos clique